Número foi de 2,33% em abril, segundo Boa Vista SPC; pessoas jurídicas são as que mais apresentam dificuldade para limpar o nome
O aumento no número de cheques devolvidos em abril acende um alerta sobre o persistente endividamento no Brasil. Dados da Boa Vista SCPC revelam que o percentual de devoluções atingiu 2,33% no mês passado, um valor inferior apenas ao registrado em março (2,59%), evidenciando a contínua dificuldade dos consumidores em honrar seus compromissos financeiros.
Endividamento e Inflação: Uma Combinação Desafiadora
Flávia Calife, economista da Boa Vista SCPC, explica que a instituição acompanha outros indicadores influenciados pela inflação e pela crescente pressão sobre o orçamento das famílias. O percentual de cheques devolvidos, embora ligeiramente menor que no mês anterior, sinaliza uma tendência de inadimplência tanto para pessoas físicas quanto para empresas.
O Impacto nas Empresas
A análise detalhada revela que a inadimplência tem aumentado de forma gradual ao longo do último ano, impactando mais as empresas do que os consumidores. As empresas enfrentam dificuldades para arcar com suas contas devido à queda nas receitas, reflexo da retração econômica. Paralelamente, os consumidores lidam com orçamentos cada vez mais apertados, em decorrência da queda na renda, alta da inflação e elevação das taxas de juros.
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Cheques e Outras Modalidades de Pagamento
Embora os cheques estejam perdendo espaço para outras modalidades de pagamento, como cartões de crédito e boletos, eles ainda representam uma parcela significativa (cerca de 30%) das transações entre empresas. Esse dado, segundo Flávia Calife, demonstra o peso das dificuldades financeiras sobre as empresas.
Análise Comparativa: Pessoas Físicas vs. Jurídicas
Ao comparar os cheques devolvidos de pessoas físicas e jurídicas, observa-se que a devolução diminuiu 7,2% para as pessoas físicas e 1,6% para as pessoas jurídicas em abril deste ano. Essa diferença reflete a crescente migração das pessoas físicas para outras formas de pagamento mais seguras e convenientes, como o cartão de crédito. No entanto, o volume de cheques devolvidos ainda representa uma parcela considerável da inadimplência das empresas.
Em um cenário onde a utilização total de cheques caiu pela metade nos últimos dez anos, impulsionada pela migração das pessoas físicas para outras modalidades, o aumento da inadimplência sinaliza a necessidade de atenção redobrada à saúde financeira de empresas e consumidores.



