Cidade acompanha dados nacionais e registra 16 solicitações só no primeiro semestre, contra 11 durante todo o ano de 2015
O mês de julho registrou um recorde no número de recuperações judiciais no Brasil, com 175 requisições e 149 deferimentos, o maior volume do ano, de acordo com o indicador Serasa Experian. O levantamento também aponta para um número elevado de 70 recuperações no mês anterior, configurando também um recorde.
O Que é Recuperação Judicial e Seu Propósito
A recuperação judicial é um mecanismo legal que visa auxiliar empresas em crise financeira a superarem suas dificuldades. O objetivo é manter a fonte de empregos, proteger os interesses dos credores, preservar a empresa e estimular a atividade econômica. Em Ribeirão Preto, por exemplo, observou-se um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial, com 16 solicitações este ano, em comparação com 11 em todo o ano anterior e apenas 3 em 2014, segundo dados da Cirp, provenientes do cartório distribuidor do Fórum de Ribeirão Preto.
Causas do Aumento nas Recuperações Judiciais
O advogado empresarial Agnaldo Biff atribui o aumento dos pedidos de recuperação judicial à crise econômica atual. Ele explica que as empresas tentam resistir e adotar medidas para enfrentar a crise, mas, eventualmente, chegam a um ponto de estrangulamento financeiro, o que leva aos pedidos recordes de recuperação judicial. Em julho, a maioria dos pedidos (122) veio de micro e pequenas empresas, enquanto 36 foram de médias empresas e apenas 17 de grandes corporações.
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Desafios das Micro e Pequenas Empresas
Biff destaca que as micro e pequenas empresas são mais vulneráveis devido ao menor poder de negociação. Elas enfrentam dificuldades para obter linhas de crédito e renegociar dívidas diretamente com os credores, o que as fragiliza. A recuperação judicial surge como uma alternativa para renegociar dívidas, permitindo parcelamentos em até 20 anos, desde que a dívida não ultrapasse o valor dos ativos da empresa. O empresário deve buscar essa solução antes que a situação se torne insustentável, pois a recuperação judicial é destinada a empresas viáveis.
É importante ressaltar que nem todas as dívidas são elegíveis para recuperação judicial. Dívidas com impostos e aquelas com garantias reais, como empréstimos com imóveis como garantia ou dívidas de cartão de crédito, geralmente não entram na recuperação. Além disso, bancos podem oferecer alongamentos de prazos e alterar contratos para evitar que certas dívidas sejam incluídas na recuperação. Portanto, é crucial que o empresário busque o auxílio de um especialista para analisar o caso e determinar a melhor estratégia a seguir.
Diante desse cenário, é fundamental que os empresários estejam atentos à saúde financeira de seus negócios e busquem auxílio especializado para tomar decisões estratégicas e evitar situações de crise irreversíveis.



