De janeiro até março de 2016, índice teve baixa de 10,46%, mas em comparação com março de 2015, há alta de 3%
Ainda que de forma tímida, o custo de vida no Brasil apresenta sinais de arrefecimento, embora o impacto no bolso do consumidor ainda seja pequeno. De janeiro a março de 2016, o Índice do Custo de Vida Médio (ICVM) registrou uma leve queda, passando de 10,64% para 10,29%.
Análise do Cenário Atual
Para o economista José Kirsten, da USP, essa redução é praticamente insignificante, mantendo o indicador em um patamar elevado. O aumento de 1,93% nos produtos de alimentação impactou consideravelmente o índice, tornando a comparação com abril de 2015, quando o ICVM estava em 7,1%, ainda mais preocupante.
Perspectivas para o Futuro
Kirsten acredita que o mercado recessivo não suporta mais a baixa demanda, o que deve levar à estabilização ou até mesmo à redução dos preços ao longo do ano. A expectativa é que o ICVM fique abaixo dos 10% já em abril, convergindo para a meta de 7,5% até o final do ano. Essa desaceleração é impulsionada pela retração na demanda, que exerce pressão para baixo sobre os preços.
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Impacto nos Principais Itens de Consumo
A pesquisa do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) aponta que saúde (12,92%), alimentação (12,34%) e educação (10,8%) foram os itens que mais contribuíram para a perda do poder aquisitivo nos últimos 12 meses. Kirsten critica esses reajustes exagerados, especialmente em tempos de crise, classificando-os como oportunismo. Ele cita o exemplo das escolas particulares, que, mesmo perdendo alunos, aumentaram as mensalidades em mais de 10%, e a autorização do governo para o aumento dos planos de saúde acima da inflação.
Nos últimos 12 meses, os custos médios de habitação, vestuário e transportes também registraram aumentos significativos.
Apesar dos desafios persistentes, a expectativa é de que a moderação na demanda continue a exercer pressão para baixo sobre os preços, contribuindo para uma melhora gradual no cenário econômico.



