Professor Luiz Puntel fala da adesão exagerada de palavras de outras línguas na coluna ‘Oficina de Palavras’
O professor Luiz Puntel discute o uso de estrangeirismos na língua portuguesa do Brasil, tema recorrente entre professores de redação e candidatos a vestibulares.
O peso dos estrangeirismos
A questão do uso de palavras estrangeiras em textos escritos em português não é apenas uma questão de estilo, mas também envolve aspectos financeiros, culturais e econômicos. A influência da língua inglesa, por exemplo, é significativa, levando à incorporação de termos como delivery, drive-through e sale.
A polêmica incorporação de novas palavras
Em 2000, o deputado Aldo Rebelo propôs uma lei para banir termos estrangeiros, gerando polêmica e até mesmo se tornando tema de vestibular da Fuvest. Recentemente, a Academia Brasileira de Letras (ABL) registrou mil novas palavras, incluindo o termo “bullying”, que já era amplamente utilizado no dia a dia. Essa atualização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Vope) demorou mais de duas décadas, evidenciando a lentidão do processo de incorporação oficial de novos termos.
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A dinâmica da língua e o registro oficial
A língua portuguesa é dinâmica, com palavras e expressões surgindo e desaparecendo constantemente. O registro oficial, no entanto, é lento e demorado, como demonstra a demora na incorporação de termos como “feminicídio”, apesar da existência de lei específica sobre o tema desde 2015. A inclusão dessas mil palavras no Vope, embora representativa, destaca a defasagem entre a linguagem falada e o registro oficial, mostrando a necessidade de maior agilidade nesse processo.