Em três meses, fechamentos de vagas devem se equivaler ao número de cortes de nove meses anteriores
A crise econômica que assola o Brasil atingiu duramente as indústrias paulistas. Somente em setembro, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiespe), quase 12 mil trabalhadores foram demitidos. O terceiro trimestre registrou a perda de 29 mil postos de trabalho, totalizando 86 mil vagas fechadas em 2023. A previsão é ainda mais sombria: até dezembro, estima-se que 165 mil vagas sejam eliminadas.
Impacto em Pequenas e Médias Empresas
A situação afeta empresas de diferentes portes e setores. Uma fábrica de folheados em Limeira, por exemplo, registrou queda de 30% no faturamento, resultando em demissões. O empresário Ângelo Persebon prevê demitir 10 dos seus 49 funcionários até dezembro, devido ao aumento dos encargos de fim de ano. Ele afirma que a decisão é difícil, mas necessária diante da realidade financeira da empresa. Enquanto no ano passado o corte foi de 5%, este ano pode chegar a 20%.
Desaceleração do Setor Industrial e Perspectivas Pessimistas
O cenário é crítico para todo o setor industrial paulista. Após o fechamento de 11.500 postos de trabalho, a indústria entra em um período de desaceleração que promete agravar o desemprego. A Fiespe projeta o fechamento de mais 79 mil vagas entre outubro e dezembro, número próximo ao total de demissões dos nove meses anteriores. Para o economista Leandro Moraes, o aumento dos encargos de fim de ano, aliado à baixa produção e à falta de confiança dos empresários em relação às reformas econômicas, contribui para a redução de investimentos e consequente demissão de funcionários.
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Desemprego e o Impacto Social
A onda de demissões preocupa trabalhadores como Alessandro Moraes e Marie Medeiros, que buscam recolocação no mercado. De acordo com a Fiespe, dos 22 segmentos industriais pesquisados, 13 registraram queda no nível de emprego, 4 permaneceram estáveis e 5 tiveram aumento no número de empregados. Apesar dos números negativos de 2023 serem menores que os de 2022 (19 segmentos com queda, 2 com aumento e 1 estável), a situação permanece alarmante e demonstra a gravidade da crise no setor industrial paulista.



