O desperdício de alimentos segue como um dos grandes desafios do Brasil. Todos os anos, cerca de 55 milhões de toneladas de comida são jogadas fora, enquanto milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar. O alerta foi feito durante o Manhã CBN, em entrevista com a nutricionista Marília Machado, que trouxe orientações práticas para mudar esse cenário a partir de hábitos simples no dia a dia.
Segundo a especialista, o principal caminho para reduzir o desperdício começa antes mesmo de ir ao mercado. “O segredo é o planejamento”, afirmou. Fazer lista de compras, organizar o cardápio da semana e observar os alimentos com validade mais próxima são atitudes que ajudam a evitar perdas.
Marília também destacou a importância da organização da geladeira e da despensa, deixando os produtos que vencem primeiro mais visíveis. Outro ponto essencial é o aproveitamento integral dos alimentos, como talos, folhas e cascas, que podem ser usados em refogados, sopas, bolos e chás.
O congelamento correto foi apontado como um grande aliado. Arroz, feijão, carnes, pães, bolos e até tapioca podem ser congelados, desde que em porções menores e respeitando os prazos de segurança. Carnes vermelhas e frango, por exemplo, podem ficar congelados por até três meses, enquanto peixes devem ser consumidos em até dois meses.
No caso das frutas, a nutricionista explicou que o ideal é congelá-las pensando em preparações como vitaminas, sorvetes e frapês, já que a textura muda após o descongelamento. “Mamão, banana e morango congelados rendem ótimas receitas”, disse.
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Outro alerta importante foi sobre fungos em alimentos. Marília reforçou que, quando o mofo está visível, todo o alimento já está contaminado e deve ser descartado. Já frutas apenas amassadas ou com manchas, sem fungos, podem ser aproveitadas em sucos ou outras preparações.
A nutricionista também chamou atenção para o desperdício dentro de casa, especialmente com crianças. A recomendação é servir porções menores e permitir a repetição, evitando que grandes quantidades acabem no lixo.
Para aquilo que realmente não pode ser reaproveitado, a orientação é apostar na compostagem, transformando restos de frutas, legumes e cascas em adubo, com exceção de carnes e laticínios.
Em períodos de festas e confraternizações, como o fim de ano, a dica é dividir as sobras entre os convidados ou congelar corretamente para consumo posterior. “Além de evitar o desperdício, isso gera economia e consciência”, destacou Marília.



