O Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, chama atenção para a importância das brincadeiras no desenvolvimento infantil, especialmente em um cenário marcado pelo excesso de telas no cotidiano das crianças. Durante entrevista à CBN Ribeirão Preto, a pedagoga Andreia Carvalho destacou que as crianças brincam menos atualmente por conta das mudanças nos hábitos e também pela falta de espaços adequados para o lazer infantil.
Segundo a especialista, além do uso frequente de celulares, tablets e computadores, as cidades têm poucos ambientes preparados para acolher as crianças com segurança. Ela também ressaltou a diferença entre brincar em espaços fechados e ao ar livre, destacando a importância do contato com a natureza no desenvolvimento infantil.
A entrevista também abordou como as crianças conseguem transformar ambientes simples em espaços de diversão e aprendizado, além da importância da interação entre pais, filhos e outras crianças durante as brincadeiras.
Excesso de telas
Durante a conversa, Andreia Carvalho afirmou que as crianças de hoje têm mais estímulos tecnológicos do que gerações anteriores, o que contribui para a redução do tempo dedicado às brincadeiras tradicionais. Ela explicou que o brincar continua sendo essencial para o aprendizado e para a construção das relações sociais.
A pedagoga destacou ainda que brincar não é apenas entretenimento. Segundo ela, é por meio das brincadeiras que as crianças desenvolvem habilidades como criatividade, imaginação, paciência, negociação e resiliência. A convivência com outras crianças também ajuda no aprendizado sobre frustrações, troca de brinquedos e respeito ao tempo do outro.
Ela afirmou que o brincar funciona como um “trabalho” da infância, já que é por meio dessas experiências que a criança conhece o mundo e aprende a lidar com diferentes situações do cotidiano.
Brincadeiras simples
A especialista também defendeu o uso de materiais simples e brinquedos não estruturados, como caixas de papelão, tecidos, massinha, argila, galhos e pedaços de madeira. Segundo ela, esses objetos estimulam mais a criatividade porque permitem que a criança transforme os materiais em diferentes brincadeiras.
Durante a entrevista, ouvintes relembraram brincadeiras antigas como bets, queimada, elástico, pula corda e carrinhos feitos com lata de óleo ou cabo de vassoura. A pedagoga afirmou que resgatar essas atividades pode ser importante para fortalecer o convívio social e reduzir o tempo excessivo diante das telas.
Ela também comentou sobre atividades manuais, como jogos feitos com tampinhas de garrafa e desenhos produzidos pelas próprias crianças. Para a especialista, além da diversão, essas práticas ajudam no desenvolvimento da coordenação motora e da criatividade.
Presença familiar
Outro ponto destacado por Andreia Carvalho foi a importância da participação dos pais nas brincadeiras. Segundo ela, mesmo com a rotina corrida e o pouco tempo disponível, momentos simples de interação podem fortalecer os vínculos familiares e trazer benefícios emocionais para as crianças.
A pedagoga afirmou que, muitas vezes, a criança não precisa de brinquedos sofisticados, mas sim da presença dos adultos durante as atividades. Ela também citou como exemplo positivo a troca de figurinhas do álbum da Copa, que incentiva interação, conversa e convivência fora das telas.
Durante a entrevista, ela ainda comentou sobre os impactos da restrição do uso de celulares em escolas durante o recreio, afirmando que a medida incentivou mais interação entre os alunos, conversas presenciais e brincadeiras coletivas.



