Celebrado neste 8 de julho, o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador Científico chamam a atenção para a importância da produção científica e para os desafios enfrentados pelos pesquisadores diante da rápida evolução da inteligência artificial (IA).
Para o pesquisador da Unesp, Vitor Engracia Valente, a tecnologia representa uma ferramenta importante para acelerar processos de pesquisa, desde que seja utilizada com critérios e acompanhada por revisão humana. Segundo ele, o uso inadequado pode comprometer a qualidade das informações produzidas.
Inteligência artificial
De acordo com o pesquisador, a inteligência artificial pode auxiliar na organização de dados, na interpretação de estudos e na otimização de etapas da pesquisa científica. No entanto, ele alerta que a tecnologia também pode gerar informações incorretas quando utilizada sem conferência das fontes.
Segundo Valente, a IA pode apresentar o que pesquisadores chamam de “alucinação”, situação em que mistura dados de diferentes origens e produz respostas ou referências inexistentes. Por isso, ele destaca que o pesquisador deve conhecer o assunto tratado e sempre verificar a confiabilidade das informações.
O especialista também recomenda alimentar a inteligência artificial com materiais científicos confiáveis, como artigos e livros, para melhorar a qualidade das respostas obtidas durante o trabalho.
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Pesquisa científica
O pesquisador explica que o desenvolvimento de um estudo científico envolve diversas etapas, desde a elaboração do projeto até a coleta e análise dos dados, podendo levar anos para ser concluído.
Em pesquisas experimentais, por exemplo, os projetos passam por avaliação de comitês de ética antes do início da coleta de informações. Dependendo da complexidade do estudo, o processo pode durar de dois a três anos ou até uma década.
O pesquisador apontou que a inteligência artificial tem contribuído para reduzir parte desse tempo, principalmente em atividades relacionadas à organização e interpretação de informações, mas não substitui o trabalho técnico e analítico realizado pelos pesquisadores.
Cenário brasileiro
Ao avaliar a produção científica nacional, o pesquisador afirma que o Brasil mantém posição de destaque em quantidade de pesquisas publicadas, apesar das limitações de investimento quando comparado a países como Estados Unidos, Inglaterra e Coreia do Sul.
Ele ressalta que universidades públicas, como USP, Unesp, Unicamp e UFSCar, concentram pesquisadores de grande relevância internacional, especialmente no interior paulista. Segundo Valente, a região de Ribeirão Preto reúne cientistas reconhecidos mundialmente em áreas como farmacologia, fisiologia, psicologia, sociologia e humanidades, contribuindo para o avanço da ciência no Brasil e no exterior.



