Expectativa é que, em 2020, a produção do combustível seja maior que no ano passado
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), analisados pela União das Usinas de Cana de Açúcar, apontam um crescimento recorde no consumo de etanol no Brasil em 2019: 10,5% a mais do que em 2018. Essa tendência de alta se mantém no início de 2020.
Setor Etanoleiro Preparado para a Demanda
Em entrevista, Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União das Usinas de Cana de Açúcar, afirmou que o setor está preparado para atender à demanda crescente. Segundo ele, 2019 superou as expectativas, com o volume comercializado retornando aos patamares de 2014 e 2015, mostrando uma recuperação efetiva do mercado. O ciclo automotivo cresceu 5% em relação a 2018, e a expectativa é de crescimento contínuo em 2020, impulsionado pelo aumento nas vendas de veículos e a recuperação econômica.
Etanol Hidratado: O Impulsor do Crescimento
O crescimento no consumo de etanol se deve principalmente ao etanol hidratado, usado diretamente nos veículos. Rodrigues destaca que o etanol hidratado representou mais de 65% do consumo da cana brasileira, enquanto o consumo de gasolina teve variação quase nula (menos de 0,5%). A escolha do consumidor pelo etanol hidratado em detrimento da gasolina foi decisiva para esse resultado.
Leia também
Estabilidade de Preços e Perspectivas Futuras
Apesar de um período de entre-safra um pouco mais longo, Rodrigues acredita que o preço do etanol deve se manter estável. Os indicadores de mercado mostram estabilidade nos preços brutos ao produtor nos últimos cinco dias, sugerindo que o mercado está encontrando seu ponto de equilíbrio. A oferta de etanol de milho, que não possui safra e entressafra, também contribui para a estabilidade dos preços. A previsão é de que o mercado passe por esse período de entressafra com tranquilidade, sem grandes sustos para consumidores e produtores. A volatilidade de preços em regiões como Ribeirão Preto é destacada, mas a tendência geral é de estabilidade no estado de São Paulo, com preços abaixo de R$ 2,90 em alguns locais. O preço do produtor representa cerca de 60% do preço final ao consumidor, e diversos fatores, como tributos, distribuição e revenda, influenciam o preço final. O consumidor, por fim, é quem dita o tamanho do mercado, optando pelo etanol ou pela gasolina. A questão ambiental também contribui para o crescimento do consumo de etanol, principalmente em grandes centros urbanos, onde a preocupação com a saúde e a poluição é maior.



