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Documentos revelam que bebê morta em Jaboticabal recebeu 10 negativas de transferência antes de morrer

Antonela Lima Melo, de 7 meses, aguardava vaga para internação após quadro grave de bronquiolite; especialista aponta falhas na articulação da rede de saúde
Bebê
Arquivo pessoal

A morte da bebê Antonela de Lima Melo, de 7 meses, levantou questionamentos sobre o funcionamento da rede regional de saúde de Ribeirão Preto. Documentos da regulação estadual obtidos pela CBN mostram que a criança teve pedidos de transferência negados por hospitais da região antes de morrer na UPA de Jaboticabal.

Antonela deu entrada pela segunda vez na unidade na noite de 31 de maio, após ter sido atendida e liberada horas antes com sintomas de gripe. Na manhã de 1º de junho, médicos passaram a solicitar uma vaga de internação em UTI pediátrica devido à piora do quadro, que incluía bronquiolite, dificuldade respiratória e risco de parada cardiorrespiratória.

Os registros indicam que, ao longo do dia, a bebê recebeu pelo menos dez recusas de atendimento. Hospitais alegaram superlotação ou falta de estrutura para recebê-la, incluindo a Santa Casa de Ribeirão Preto, o Hospital das Clínicas e a Santa Casa de Jaboticabal.

Recusas médicas

Às 21h50 do dia 1º de junho, o Estado autorizou uma transferência para a Santa Casa de Sertãozinho na modalidade de vaga zero, sem garantia de atendimento imediato. Cerca de duas horas depois, às 22h47, Antonela morreu.

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A mãe da bebê, Luana Costa, relatou o desespero ao acompanhar a piora da filha enquanto aguardava a confirmação de uma transferência. Segundo ela, a criança precisou ser entubada após apresentar piora no estado de saúde, mas não resistiu.

Análise especialista

O médico especialista em saúde pública José Sebastião dos Santos, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, afirmou que a criança poderia ter sido transferida para um hospital antes mesmo da disponibilidade de um leito de UTI pediátrica, com o objetivo de estabilizar o quadro até o surgimento de uma vaga.

Segundo o especialista, a rede de saúde da região possui estrutura e recursos, e o caso precisa ser analisado pelos gestores dos hospitais e órgãos responsáveis para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

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Posicionamentos

Em nota, a Santa Casa de Ribeirão Preto informou que não possui UTI pediátrica e que opera com a capacidade máxima de atendimento. Já o Departamento Regional de Saúde afirmou que houve aumento na procura por atendimentos de urgência nas últimas semanas e que trabalha para ampliar a capacidade da rede.

O DRS informou ainda que a região de Ribeirão Preto conta com 184 leitos pediátricos de CTI e UTI Neonatal no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e na Santa Casa de Sertãozinho. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou à CBN que deve esclarecer o funcionamento do sistema Cross de regulação de vagas posteriormente.

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