Especialista em previdência participa de painel sobre a reforma na Feira do Livro; evento é nesta sexta, às 18h30, na Acirp
O economista Paulo Tafner concedeu entrevista à CBN para comentar as mudanças no projeto de reforma da Previdência apresentado pelo deputado Samuel Moreira. Tafner destaca dois pontos principais: o impacto fiscal e a flexibilização do sistema.
Impacto Fiscal: Um Retrocesso?
A principal mudança é a redução do impacto fiscal da reforma, de aproximadamente R$ 1 trilhão para R$ 750-800 bilhões. Tafner critica a forma como essa redução foi alcançada, com a utilização de recursos do BNDES destinados a investimentos, e o aumento da carga tributária, principalmente sobre os bancos. Ele argumenta que aumentar impostos em um país com carga tributária já alta e baixo retorno é contraproducente, prejudicando o crescimento econômico e indo contra o objetivo principal da reforma, que era controlar os gastos, não aumentá-los.
Flexibilização e Privilégios: O Que Foi Perdido
Tafner lamenta a retirada de dispositivos importantes que flexibilizaram o sistema previdenciário, eliminando privilégios e corrigindo inconsistências. Ele cita a ausência de mecanismos automáticos de ajuste da idade de aposentadoria em função da longevidade, a eliminação de um sistema de capitalização e a exclusão dos regimes previdenciários estaduais e municipais. A falta de um sistema de capitalização, segundo o economista, prejudica principalmente a população mais pobre, que não tem acesso à previdência privada, enquanto os ricos podem se beneficiar de opções de investimento mais rentáveis. A exclusão dos regimes estaduais e municipais pode levar a uma falta de reforma nestes níveis, sobrecarregando o contribuinte com impostos altos e sem o retorno em serviços e investimentos esperados.
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Em resumo, a entrevista revela preocupação com as mudanças propostas, que podem comprometer o sucesso da reforma da Previdência. A redução do impacto fiscal foi alcançada de forma questionável, e a retirada de dispositivos importantes para flexibilizar o sistema e acabar com privilégios representa um retrocesso. A situação exige atenção e acompanhamento, considerando os impactos econômicos e sociais.



