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Educação financeira é essencial para MEIs evitarem novas dívidas, afirma especialista

Reinaldo Domingos orienta microempreendedores a separar as contas pessoais das empresariais, priorizar impostos e formar uma reserva para manter o negócio
educação financeira
utah778 de Getty Images/Canva

A possível regularização de dívidas tributárias e a oferta de recursos para investimento podem representar uma oportunidade de recomeço para microempreendedores individuais (MEIs). No entanto, para evitar que os débitos voltem a se acumular, é necessário reorganizar as finanças, calcular a margem de lucro e planejar os pagamentos do negócio.

Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o educador financeiro Reinaldo Domingos, doutor em educação financeira e presidente da Associação Brasileira dos Educadores Financeiros, destacou que a dificuldade de equilibrar receitas e despesas pode comprometer a continuidade das empresas. Segundo ele, o primeiro passo é fazer uma reorganização financeira, identificando quanto o negócio fatura, quais são os custos da operação e qual é o lucro efetivo.

O especialista também ressaltou a importância de separar o dinheiro da empresa das despesas familiares, estabelecer um valor para a remuneração do empreendedor e reservar parte dos recursos para manter a atividade em períodos de menor faturamento.

Organização financeira

Domingos recomenda que os MEIs aproveitem o período anterior à regularização das dívidas para revisar a gestão financeira. A análise deve incluir os preços dos produtos e serviços, os custos envolvidos na operação e a margem de lucro necessária para manter o negócio.

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O educador financeiro alerta que vender muito não significa necessariamente ter lucro. Se as receitas não forem suficientes para cobrir os custos e as despesas, o empreendedor precisa rever a forma como trabalha, os preços praticados ou até o modelo de negócio.

Outra orientação é incluir os impostos no planejamento financeiro, evitando novos atrasos. Depois de organizar essa obrigação e os custos da operação, o empreendedor deve prever as despesas e a formação de uma reserva financeira para manter o negócio ativo mesmo quando as vendas diminuírem.

Dinheiro pessoal e empresarial

Um dos erros mais comuns entre microempreendedores, segundo Domingos, é misturar as contas da empresa com as despesas da família. Como muitos trabalham em casa, os recursos destinados ao negócio podem acabar sendo utilizados para pagar compromissos pessoais, dificultando o controle do orçamento.

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Para evitar esse problema, o especialista recomenda estabelecer um pró-labore, que corresponde à remuneração do empreendedor pelo trabalho realizado no negócio. Dessa forma, é possível definir quanto será destinado às despesas familiares sem comprometer o caixa da empresa.

O planejamento também deve prever a formação de capital de giro, uma reserva que permite manter os compromissos financeiros em dia quando o faturamento não é suficiente. Segundo Domingos, essa organização reduz a necessidade de recorrer a novos empréstimos para cobrir despesas recorrentes.

Uso do recurso

Durante a entrevista, o especialista comentou a proposta de disponibilizar até R$ 5 mil a fundo perdido para investimentos nos negócios. Para ele, o valor pode ser significativo para um microempreendedor, desde que seja utilizado de maneira planejada e exclusivamente em benefício da atividade empresarial.

Domingos orienta que o recurso não seja destinado automaticamente ao pagamento de dívidas antigas. Em vez disso, recomenda-se negociar os débitos com instituições financeiras e preservar dinheiro em caixa para manter a operação e financiar o funcionamento da empresa.

O educador financeiro também defendeu que o apoio seja estendido aos MEIs que mantêm as obrigações em dia. Na avaliação dele, empreendedores adimplentes também poderiam utilizar o recurso para melhorar o desempenho dos negócios.

Planejamento contínuo

Para Domingos, a educação financeira vai além de cálculos e números: envolve mudanças de comportamento na administração do dinheiro, tanto na empresa quanto na família. A organização das receitas, despesas, impostos e reservas deve fazer parte da rotina do empreendedor para evitar que o endividamento se repita.

O especialista reforça que o objetivo é garantir que o negócio tenha lucro e condições de continuar funcionando, sem comprometer o orçamento familiar. A regularização das dívidas, nesse contexto, deve ser acompanhada de uma mudança na forma de administrar os recursos.

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