A emissão da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) caiu 28% em Ribeirão Preto entre 2022 e 2026, segundo dados do Detran citados pela reportagem. A mudança ocorre em um cenário no qual aplicativos de transporte fazem parte da rotina de muitos moradores e a compra de um carro se torna um objetivo mais distante para parte dos jovens.
O estudante Rafael Vetor Parpinelli, de 18 anos, é um exemplo dessa mudança de comportamento. Ele divide o tempo entre a faculdade e o estágio, mas ainda não pretende tirar a carteira de motorista. A prioridade, segundo ele, é guardar dinheiro para pagar o processo de habilitação.
Enquanto isso, Rafael utiliza aplicativos de transporte para se deslocar entre casa, faculdade e trabalho. Ele estima gastar cerca de R$ 40 por dia com o serviço e considera a modalidade mais prática e segura, embora reconheça o custo elevado.
Transporte por aplicativo
A experiência do estudante acompanha uma tendência identificada em uma pesquisa do CEAD de São Paulo Social, realizada entre maio e junho com 8.189 pessoas em todo o estado. O levantamento aponta que 76% dos moradores da região de Ribeirão Preto utilizam aplicativos de transporte.
Desse total, 28% afirmam usar o serviço com frequência, enquanto 48% recorrem à modalidade de vez em quando. Outros 24% dizem não utilizar esse tipo de transporte. O percentual de uso frequente na região é superior à média estadual, segundo os dados apresentados na reportagem.
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Na prática, os aplicativos oferecem uma alternativa para quem precisa se deslocar diariamente sem depender de um veículo próprio. Para parte dos jovens, ter um carro deixou de ser uma necessidade imediata, o que também pode contribuir para adiar a obtenção da habilitação.
Custo do carro
Os dados do Detran citados na reportagem mostram que Ribeirão Preto registrou mais de 12 mil emissões de primeiras habilitações em 2022. Em 2026, o número ficou pouco acima de 9 mil, uma redução de 28% no período.
Para o advogado e proprietário de uma autoescola Rodrigo Pascoaloto, a queda não está necessariamente relacionada ao custo do processo para obter a CNH. Na avaliação dele, o principal fator pode ser o preço de comprar e manter um veículo.
Segundo Pascoaloto, o automóvel se tornou um objetivo mais distante diante dos gastos envolvidos. Nesse cenário, mesmo uma eventual redução no preço da habilitação não seria suficiente para motivar quem não tem planos de adquirir um carro.
Além do valor para tirar a carteira, a decisão de ter um veículo envolve despesas com combustível, seguro, impostos e manutenção. Esses custos podem pesar no orçamento e influenciar a escolha entre manter um carro próprio ou continuar utilizando aplicativos de transporte.
Outros fatores
A reportagem também destacou mudanças demográficas e o avanço de alternativas de mobilidade. Uma mensagem enviada por um ouvinte apontou que a população de 18 e 19 anos em Ribeirão Preto passou de 19 mil pessoas para 17.322 entre 2011 e 2020, uma redução de aproximadamente 9%.
Outro ouvinte mencionou bicicletas elétricas e patinetes como opções de deslocamento, algumas das quais não exigem habilitação. Esses fatores também aparecem no debate sobre as mudanças nos hábitos de transporte.
O custo da própria CNH também foi citado pelos ouvintes. Segundo informação compartilhada durante o programa, o valor nominal estimado do processo aumentou entre 25% e 56% na comparação entre 2017 e 2025.
No caso de Rafael, a combinação entre faculdade, estágio e necessidade de organizar as finanças faz com que a habilitação permaneça fora dos planos imediatos. A experiência ilustra como a rotina, os custos e as opções de deslocamento podem influenciar a decisão de jovens de adiar a primeira carteira de motorista.



