A reforma tributária, que tem previsão de conclusão das mudanças até 2033, já começa a impactar a rotina das empresas com novas obrigações e adaptações necessárias. Segundo especialistas, esperar pela implementação completa do novo modelo pode trazer dificuldades para organizações de diferentes portes.
Em entrevista ao Manhã CBN, o advogado tributarista André Lemos Batista afirmou que um dos principais erros das empresas é considerar que as mudanças só terão efeito no futuro. Segundo ele, já existem exigências relacionadas à transição, como a inclusão de informações sobre os novos tributos em documentos fiscais.
Preparação
Para o especialista, o momento atual deve ser utilizado pelas empresas para revisar processos internos, sistemas fiscais, contratos com fornecedores e planejamento financeiro.
André Lemos Batista explicou que os sistemas das empresas precisam estar preparados para a nova realidade tributária, com destaque para as alíquotas de teste da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
O advogado destacou ainda que empresas enquadradas em diferentes regimes tributários, como lucro real, lucro presumido e Simples Nacional, precisam avaliar qual será a melhor estratégia diante das novas regras.
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“Eu acho que o principal ponto é adequar sistema, é começar a olhar para os contratos que as empresas possuem com fornecedores e terceiros de modo geral, entender como esses contratos estão se comportando e como eles se comportarão após as alterações da reforma tributária”, afirmou.
Impactos
Segundo o advogado, a fase de transição exigirá atenção principalmente com relação às informações prestadas pelas empresas. Neste momento, a preocupação não está apenas no pagamento dos novos tributos, mas na adaptação dos processos para evitar perda de competitividade.
Ele explicou que a expectativa de redução da carga tributária não significa que todas as empresas terão diminuição dos custos. Para André, aquelas que não se adaptarem no prazo podem enfrentar dificuldades durante o período em que os modelos antigo e novo de tributação vão coexistir.
“O grande ponto é que há uma ideia de que vai ser menos imposto, mas a tendência é que o custo seja maior para as empresas, principalmente para aquelas que não se adaptarem a tempo pelas mudanças”, disse.
Patrimônio
A reforma tributária também gera dúvidas para pessoas físicas, principalmente em relação a imóveis e recebimento de aluguéis. Segundo André Lemos Batista, determinados valores de locação poderão ser impactados pelas novas regras de tributação.
O advogado orienta que proprietários de imóveis avaliem a melhor forma de organização patrimonial, considerando a possibilidade de mudanças na tributação sobre esses rendimentos.
Para ele, empresas e pessoas físicas devem buscar informações e analisar suas operações antes da implementação das novas regras.



