A suspensão de produtos pela Anvisa por risco de contaminação microbiológica reacendeu o alerta sobre o descarte correto de itens potencialmente contaminados. Pesquisadores do Instituto de Química da USP chamam atenção para os riscos ambientais e sanitários provocados pelo descarte inadequado desses materiais.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o professor de política ambiental da USP e presidente da Associação Pau Brasil, Marcelo Marino Pereira de Souza, afirmou que produtos contaminados não devem ser descartados diretamente em pias, vasos sanitários ou redes de esgoto.
Segundo ele, a orientação é que consumidores aguardem instruções oficiais da Anvisa e dos fabricantes sobre a forma correta de descarte, evitando ampliar riscos de contaminação ambiental e exposição da população a micro-organismos nocivos.
Contaminação
Marcelo Marino destacou a importância do trabalho da Anvisa no monitoramento e fiscalização de produtos que possam representar riscos à saúde pública. Segundo ele, o descarte inadequado de itens contaminados pode potencializar problemas sanitários.
O professor explicou que a bactéria identificada nos produtos suspensos pela agência é encontrada na natureza, mas pode causar complicações graves em pessoas imunossuprimidas, idosos e indivíduos com baixa imunidade.
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De acordo com ele, o descarte incorreto em ralos e redes de esgoto favorece a proliferação desses micro-organismos, especialmente porque determinadas bactérias encontram nesses ambientes condições favoráveis para sobrevivência.
Descarte
Durante a entrevista, Marcelo Marino alertou para o descarte inadequado de medicamentos, produtos químicos, pilhas, baterias e óleo de cozinha. Segundo ele, muitos desses resíduos acabam retornando ao meio ambiente e à própria população por meio da água e da contaminação ambiental.
O professor afirmou que estudos internacionais já identificaram resíduos de antibióticos, hormônios e substâncias tóxicas em rios, mesmo em países com sistemas avançados de tratamento de esgoto.
Ele também reforçou que medicamentos vencidos não devem ser descartados em vasos sanitários ou pias. A recomendação é encaminhar esses produtos para pontos de coleta, como farmácias e locais específicos de descarte.
Responsabilidade
Marcelo Marino destacou que a responsabilidade pelo descarte adequado deve envolver fabricantes, comerciantes, poder público e consumidores. Segundo ele, a chamada logística reversa prevê que empresas também tenham responsabilidade sobre o retorno e destinação final dos produtos.
O professor citou ainda o caso de pilhas, baterias e equipamentos eletrônicos, que possuem componentes tóxicos e precisam ser entregues em pontos apropriados de coleta disponibilizados por mercados, shoppings e empresas especializadas.
Em relação ao óleo de cozinha, ele explicou que o material deve ser armazenado em recipientes, como garrafas plásticas, e levado para reciclagem, evitando o descarte na rede de esgoto.



