Altas temperaturas e o tempo seco, por exemplo, contribuem para uma sobrecarga no sistema cardiovascular; saiba como se proteger
O aumento das temperaturas médias e a intensificação das secas e queimadas no Brasil têm impactos diretos na saúde da população, Estiagem, incêndios… como as atuais condições climáticas afetam nossa saúde?, alertam especialistas. Rodrigo Estábel, pesquisador titular da Fiocruz, explica que o país enfrenta um fenômeno climático que deveria ocorrer apenas daqui a 30 anos, conforme previsão de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da ONU, mas que já é realidade hoje.
Segundo Estábel, o calor intenso e o clima seco aumentam a sobrecarga do sistema cardiovascular, especialmente em grupos vulneráveis como idosos, gestantes e crianças. A principal recomendação para minimizar esses efeitos é a hidratação constante, além da limitação da prática de exercícios físicos nos horários de maior calor, ou seja, entre 10h e 16h. O uso de roupas leves e protetor solar também é indicado para proteger a pele da exposição direta ao sol.
Impactos do clima seco e quente na saúde
O pesquisador destaca que a combinação de calor e baixa umidade relativa do ar pode causar perda significativa de líquidos no organismo, o que exige cuidados redobrados para evitar desidratação e complicações cardiovasculares. Sintomas como confusão mental, desorientação, palpitações e sensação de desmaio devem ser sinais de alerta para buscar atendimento médico imediato.
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Queimadas e qualidade do ar: Além do calor e da secura, as queimadas agravam a situação da saúde pública. Em cidades como Ribeirão Preto, a fumaça densa proveniente das queimadas reduz drasticamente a qualidade do ar, tornando-o comparável a ambientes com fumaça constante de cigarro. A exposição contínua a essas partículas finas pode causar danos cumulativos aos pulmões, aumentar o risco de câncer, doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e infartos.
Riscos para gestantes e recomendações para proteção: Para gestantes, a exposição à fumaça das queimadas pode aumentar o risco de parto prematuro. Estábel reforça a importância do acompanhamento pré-natal para monitorar sinais de prematuridade e ajustar o plano de parto conforme necessário. O Ministério da Saúde recomenda o uso de máscaras do tipo PFF2 para proteger contra a inalação das partículas nocivas presentes na fumaça. Diferentemente do período da pandemia de Covid-19, o uso da máscara não é obrigatório, mas altamente recomendado como medida de proteção individual.
O especialista alerta que máscaras comuns ou molhadas não são eficazes contra as partículas finas das queimadas, que podem penetrar profundamente nos pulmões e atingir a corrente sanguínea, inclusive a placenta. Portanto, apenas máscaras PFF2 oferecem proteção adequada.
Informações adicionais
O fenômeno climático atual, caracterizado pelo aumento acelerado da temperatura e pela intensificação da seca, exige ações estruturantes de governos, sociedade civil e setor de saúde para mitigar seus impactos. A conscientização sobre os cuidados com a hidratação, a exposição ao sol e a qualidade do ar é fundamental para reduzir os riscos à saúde da população.