Inseto é considerado praga para a produção já que, enquanto está debaixo da terra, consome a seiva dos pés de café
O canto das cigarras, tão familiar em nossos ouvidos, chegou atrasado este ano na região de Ribeirão Preto. A estiagem prolongada, apesar da chuva da semana passada, fez com que esses insetos permanecessem mais tempo no subsolo, em busca de umidade.
Atraso no ciclo reprodutivo
Segundo o engenheiro agrônomo José Fernandes Bischoff Machado, em anos anteriores, o barulho ensurdecedor das cigarras, que pode chegar a 100 decibéis (equivalente a uma motosserra), tornava impossível manter uma conversa em áreas com grande concentração desses insetos. Este ano, a falta de chuva atrasou o ciclo reprodutivo, prejudicando a produção da espécie. O canto alto dos machos, produzido pela vibração de membranas em seu abdômen, serve para atrair as fêmeas. Este processo, que se inicia quando as cigarras emergem do solo após um período que pode ultrapassar um ano, está comprometido pela seca.
Prejuízos para a lavoura cafeeira
A demora na saída das cigarras também afeta a lavoura cafeeira, já bastante prejudicada pelos incêndios que têm assolado São Paulo. As cigarras, consideradas pragas no cafezal, consomem a seiva das plantas durante o tempo em que permanecem no subsolo. Quanto mais tempo passam embaixo da terra, maior o prejuízo para os cafeicultores.
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A esperança pela chuva
Assim como os moradores da região anseiam pela chuva, as cigarras também dependem da água para sua reprodução e para amenizar os prejuízos causados pela estiagem aos produtores de café. A chegada das chuvas pode significar alívio tanto para a natureza quanto para a economia local.



