O acesso à educação e a entrada no mercado de trabalho ainda apresentam diferenças significativas no estado de São Paulo, segundo um estudo da Fundação Seade. Os dados mostram que idade, gênero e cor da pele continuam influenciando as oportunidades disponíveis para jovens, mulheres e negros.
Entre adolescentes de 16 a 18 anos, 58% dos jovens não negros conseguem apenas estudar, sem precisar trabalhar. Entre os adolescentes negros, esse percentual cai para 48,6%. Já a parcela de jovens negros que precisam conciliar estudo e trabalho é maior: 19%, contra 14,2% entre os não negros.
Mercado de trabalho
A operadora de caixa Gabriela Ramos, que é negra, relata que percebe as dificuldades enfrentadas por pessoas negras na busca por oportunidades.
Segundo ela, muitas vezes é necessário um esforço maior para conquistar espaço profissional. A experiência também é compartilhada pelo empresário Naxon, que começou a trabalhar aos 12 anos para ajudar a conquistar bens que não estavam disponíveis para sua família.
Entre os jovens de 19 a 24 anos, o trabalho exclusivo aparece com maior frequência entre negros. O levantamento aponta que 55,9% dos jovens negros estão apenas trabalhando, enquanto entre os não negros o índice é de 47,4%.
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Desigualdade
O estudo também revela diferenças na divisão das tarefas domésticas. Entre pessoas de 25 a 29 anos, 10,8% das mulheres se dedicam exclusivamente aos afazeres de casa. Entre os homens da mesma faixa etária, o percentual é de apenas 0,1%.
A auxiliar administrativa Josefa Menezes conta que precisou deixar a filha aos cuidados da mãe para conseguir trabalhar quando era mãe solteira.
Para o professor de economia Fabrício Pessato, os números refletem uma desigualdade estrutural construída historicamente, relacionada à renda e ao acesso às oportunidades.
Educação e creches
Segundo o especialista, a falta de acesso a recursos e oportunidades após o período da escravidão contribuiu para a manutenção de desigualdades que permanecem até hoje.
Ele também destaca que as mulheres são impactadas pela falta de estrutura para conciliar trabalho e maternidade, principalmente pela ausência de vagas suficientes em creches públicas e pelo alto custo das instituições privadas.
Na avaliação do professor, ampliar o acesso à educação de qualidade e oferecer mais condições para que mulheres permaneçam no mercado de trabalho são caminhos para reduzir essas diferenças.
Segundo ele, quanto maior o tempo de estudo, maiores são as chances de aumento de renda no futuro, mas é necessário garantir que o ponto de partida seja mais igualitário para diferentes grupos da sociedade.



