Estudo aponta que bebidas estimulantes podem fazer mal à saúde de crianças e adolescentes
Bebidas energéticas, um tema recorrente na coluna CBN Saúde com o Dr. Fernando Nobre, têm gerado crescente preocupação, especialmente em relação ao consumo por crianças e adolescentes. Estudos recentes apontam para os riscos associados às altas doses de estimulantes presentes nessas bebidas.
O Problema com as Bebidas “Energéticas”
O Comitê de Nutrição e Aleitamento Materno da Associação Espanhola de Pediatria sugere que o termo “bebidas energéticas” seja substituído por “bebidas estimulantes”, ressaltando que o problema vai além do aspecto nutricional, representando um risco real à saúde infantil. Essas bebidas, geralmente não alcoólicas, contêm altas concentrações de cafeína, açúcar e outros ingredientes como taurina, guaraná e vitaminas do complexo B.
Os Perigos Ocultos nos Rótulos
A cafeína, principal estimulante dessas bebidas, está presente em concentrações elevadas, variando de 5 a 15 mg por 100 ml. O guaraná, outro ingrediente comum, também contém cafeína, muitas vezes não especificada nos rótulos. Uma lata de 500 ml pode conter entre 50 e 60 gramas de açúcares livres, ultrapassando o limite de 5% da ingestão energética total recomendada pela Organização Mundial da Saúde. A recomendação máxima de cafeína para crianças e adolescentes é de 3 mg por quilo de peso corporal por dia, uma dose considerada aceitável, mas não recomendada. Formulações light ou zero podem induzir ao engano, mascarando os riscos associados aos demais ingredientes.
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Consumo Crescente e Consequências Alarmantes
A preocupação se intensifica com o aumento do consumo entre crianças e adolescentes, uma população vulnerável e frequentemente desinformada sobre os impactos negativos desses produtos. Casos de consumo em crianças a partir de seis anos têm sido registrados. Na Espanha, cerca de um terço dos adolescentes entre 12 e 13 anos e quase metade dos jovens entre 14 e 18 anos consumiram bebidas estimulantes nos últimos 30 dias. No Brasil, o consumo também cresce, atingindo 38% dos lares em 2024. A combinação dessas bebidas com álcool, comum entre adolescentes, agrava os riscos, tornando os efeitos do álcool menos perceptíveis e favorecendo o consumo excessivo. Convulsões e alterações cardíacas podem estar associadas ao consumo dessas bebidas, exigindo atenção especial em casos de emergência.
É crucial estarmos atentos a esse hábito prejudicial, que pode evoluir para um vício, e promovermos a conscientização sobre os riscos envolvidos.



