Tratamento é alternativa a terapias hormonais em casos de mulheres com contra indicação; especialista explica o funcionamento
A menopausa é uma fase natural na vida das mulheres, Estudo aponto efetividade do uso da cannabis medicinal no tratamento da menopausa, caracterizada pelo fim dos ciclos menstruais e marcada por sintomas como ondas de calor, alterações de humor, insônia e queda dos níveis hormonais. Para muitas mulheres, esses sintomas podem causar desconforto significativo e impactar a qualidade de vida.
Recentemente, o uso da cannabis medicinal tem se destacado como uma alternativa eficiente no tratamento dos sintomas da menopausa, especialmente para aquelas que apresentam contraindicações à terapia de reposição hormonal. A doutora Beatriz Jacobi Milani, médica especialista em cannabis medicinal e no tratamento da dor crônica, explica que o sistema endocanabinoide do corpo, responsável pelo equilíbrio fisiológico, sofre desequilíbrios durante a menopausa, e o cannabidiol (CBD) pode atuar para restaurar esse equilíbrio, aliviando sintomas como ansiedade, depressão, insônia e dores.
Tratamento com cannabis medicinal na menopausa
Segundo a médica, o tratamento com cannabis medicinal deve ser conduzido por profissionais capacitados, que avaliem o histórico clínico da paciente e indiquem o produto mais adequado, considerando as diversas formulações disponíveis, como óleos, cápsulas e balas medicinais. A prescrição é feita mediante receita médica, e os produtos podem ser adquiridos em farmácias autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou importados, caso a formulação desejada não esteja disponível no mercado nacional.
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Benefícios para sintomas comuns do climatério: Além de melhorar a qualidade do sono e reduzir dores musculares, o uso do cannabidiol pode contribuir para a saúde óssea, um aspecto importante na menopausa, já que a diminuição da densidade mineral óssea aumenta o risco de osteoporose. Estudos recentes indicam que os canabinoides presentes na planta da cannabis têm potencial para auxiliar na manutenção da saúde óssea.
Preconceitos e diferenças entre uso medicinal e recreativo: Apesar dos benefícios, ainda existe preconceito em relação ao uso da cannabis medicinal, muitas vezes associada erroneamente ao uso recreativo da maconha. A doutora Beatriz esclarece que, embora provenham da mesma planta, o uso medicinal envolve formulações específicas e controladas, administradas principalmente por via oral, enquanto o uso recreativo geralmente ocorre pela via fumada e tem finalidades distintas.
Desafios e cuidados no uso da cannabis medicinal: Embora haja estudos robustos que comprovem a eficácia do cannabidiol em diversas condições, como dor crônica, fibromialgia, enxaqueca e convulsões, ainda há falta de conhecimento e interesse suficientes dentro da comunidade médica. A inclusão do tema nas grades curriculares das faculdades de medicina é recente e ainda limitada.
Além disso, o uso do cannabidiol apresenta contraindicações, como em gestantes e crianças, e pode causar efeitos colaterais e interações medicamentosas importantes, especialmente com antidepressivos e anticoagulantes. Por ser metabolizado no fígado, o acompanhamento médico é fundamental para monitorar possíveis reações adversas e ajustar doses, iniciando sempre com quantidades baixas para garantir segurança.
Informações adicionais
É essencial que o paciente busque profissionais qualificados e com formação específica em cannabis medicinal para garantir um tratamento seguro e eficaz. A banalização do uso da cannabis como solução para todos os males pode ser prejudicial, assim como a negação do seu potencial terapêutico. A escolha do profissional deve considerar sua formação e experiência no tema.



