Dois anos após o acidente aéreo da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo, novas informações sobre problemas de manutenção e segurança envolvendo a companhia vieram à tona. Uma denúncia exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (9), revelou alertas feitos por um ex-inspetor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anos antes da queda.
O ex-servidor afirmou ter identificado problemas desde 2019, incluindo indícios de utilização de peças sem a devida avaliação de segurança. Em 2022, ele voltou a alertar sobre o reaproveitamento irregular de peças de uma aeronave que havia sofrido um acidente em Rondonópolis, em Mato Grosso.
Alertas ignorados
Segundo os documentos apresentados pelo Fantástico, o inspetor procurou órgãos internos nacionais de aviação após identificar os problemas. Depois disso, passou a responder a um processo administrativo por insubordinação e acabou exonerado da Anac no ano passado, após 16 anos de atuação.
O reaproveitamento de peças da aviação civil após acidentes é proibido, a não ser que exista um laudo pericial apontando que não houve problemas com o componente. As regras para esse tipo de procedimento são consideradas rígidas.
Falhas na Voepass
A investigação da Polícia Federal concluiu que o acidente foi resultado de uma combinação de falhas no sistema de degelo, omissão de registros técnicos, problemas de manutenção, descumprimento de procedimentos operacionais e falhas de supervisão.
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A PF indiciou 16 pessoas ligadas à empresa, entre elas o controlador da companhia, José Luiz Felício Filho, além de diretores de manutenção, segurança operacional, treinamento de pilotos, operações e despacho de voos. Segundo a investigação, a empresa mantinha uma cultura de não registro de falhas.
Fiscalização da Anac
O relatório da Polícia Federal aponta que alertas do sistema de degelo eram frequentemente apagados por meio de reinicializações do equipamento, sem que os problemas fossem registrados nos documentos de manutenção. Com isso, não eram adotadas medidas ou restrições operacionais.
A investigação também questionou a atuação da Anac, que recebeu denúncias e identificou irregularidades antes do acidente, mas não teria adotado medidas suficientes para interromper os riscos operacionais. A PF sugeriu ao Ministério Público Federal a apuração de eventuais responsabilidades relacionadas à fiscalização exercida pela agência.
Em nota, a Anac informou que os apontamentos envolvendo a aeronave acidentada em Rondonópolis foram analisados na época e que as peças passaram pelas verificações previstas nas normas do setor. A agência também informou ter aberto um procedimento interno para apurar eventual responsabilidade de servidores citados nas investigações.



