O excesso de peso pode estar relacionado a mais de 10% dos casos de câncer, segundo estudo citado na entrevista com o médico oncologista Diocésio Andrade. De acordo com o especialista, a obesidade vem se tornando um problema cada vez mais relevante nas últimas décadas e pode influenciar no aumento de diferentes tipos de câncer.
Entre os tumores que já têm a obesidade reconhecida como fator de risco estão os de mama, endométrio, estômago e intestino. O médico explica, porém, que o câncer é uma doença multifatorial e que diferentes fatores de risco podem estar associados ao desenvolvimento da doença.
Fatores de risco
Segundo Diocésio Andrade, o estudo também analisou a circunferência abdominal, além do índice de massa corporal (IMC), e identificou uma possível influência dessa medida no risco de câncer. A obesidade também está relacionada a outros problemas de saúde, principalmente doenças cardiovasculares.
Em Ribeirão Preto, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional apontam que mais de 75% dos 95.211 adultos avaliados pela rede municipal de saúde no ano passado apresentavam sobrepeso ou obesidade.
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O oncologista destaca que o problema também envolve hábitos alimentares e o consumo de alimentos ultraprocessados e fast food. Para ele, a prevenção deve começar ainda na infância, já que crianças também têm apresentado problemas como obesidade, diabetes e colesterol alto.
Tratamento
O especialista reforça que a obesidade é uma doença multifatorial e que pessoas com dificuldade para controlar o peso devem buscar acompanhamento profissional. Segundo ele, existem diferentes opções terapêuticas, que vão desde a cirurgia bariátrica até medicamentos utilizados para o controle do peso.
De acordo com o médico, pacientes que já têm diagnóstico de câncer e também apresentam obesidade podem utilizar medicamentos para emagrecimento, desde que haja indicação e acompanhamento profissional. Ele ressalta ainda a importância de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico em determinados casos.
Para pacientes com obesidade importante que passam por tratamento contra o câncer, uma das dificuldades pode estar relacionada ao cálculo da dose de quimioterapia. Como alguns tratamentos são calculados com base na superfície corporal, o peso pode influenciar a dose e, consequentemente, aumentar a possibilidade de efeitos colaterais.



