José Carlos de Lima Júnior comenta sobre o excesso de chuva que afetou o Sul no inicio do ano e a estiagem no Centro-Sul
O agronegócio e o clima estão diretamente interligados, Extremos climáticos afetam produção agrícolas e causam prejuízos que podem perdurar por décadas, e as condições climáticas recentes têm impactado significativamente a produção agrícola em diferentes regiões do Brasil. No Rio Grande do Sul, fortes chuvas no início do ano, seguidas por novas precipitações em abril e maio, causaram enchentes que afetaram a horticultura local. Já na região de Ribeirão Preto, a situação é oposta, com uma estiagem prolongada e episódios de geada, como ocorreu recentemente em Pedregulho, que também prejudicam a produção agrícola.
Impactos das chuvas no Rio Grande do Sul
De acordo com José Carlos de Lima Júnior, especialista que acompanha o setor, a retomada da horticultura no Rio Grande do Sul pode levar décadas para se recuperar em algumas produções. Ele destaca que as enchentes provocaram uma perda significativa de nutrientes no solo, o que compromete a fertilidade e a capacidade produtiva das áreas afetadas.
Problemas causados pelo fogo na região de Ribeirão Preto: Enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta excesso de água, a região de Ribeirão Preto lida com o problema oposto: o fogo. Incêndios criminosos têm ocorrido com frequência, prejudicando a agricultura local. José Carlos explica que o fogo elimina nutrientes essenciais ao solo, como nitrogênio, potássio e fósforo, além de reduzir a umidade do solo. A repetição desses incêndios pode levar à erosão e até à formação de microdesertos, devido à exposição prolongada ao sol e às altas temperaturas.
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Uso do fogo por pequenos produtores e seus riscos: Um dos principais desafios é o uso do fogo por pequenos produtores rurais para manejo de ervas daninhas. Muitas vezes, esses produtores não dispõem de maquinário adequado para a retirada da vegetação seca e optam pela queima. Essa prática, embora resolva um problema imediato, destrói o microbioma do solo — conjunto de microorganismos essenciais para a fertilidade e o crescimento das plantas. José Carlos alerta que essa destruição resulta em perda de produtividade nas safras seguintes e aumenta a dependência de fertilizantes químicos, elevando os custos para os agricultores.
Incêndios florestais e suas consequências ambientais: Além dos incêndios em áreas agrícolas, a região tem enfrentado incêndios florestais em áreas de mata, como o ocorrido recentemente no Horto Florestal de Batatais. Esses incêndios, muitas vezes criminosos, também ameaçam áreas agrícolas próximas, como canaviais localizados às margens de rodovias. José Carlos destaca que, ao contrário do que muitos imaginam, a maioria dos incêndios não é causada por acidentes, como o descarte de cigarros, mas sim por ações humanas intencionais. Em alguns casos, o fogo pode ser iniciado pelo reflexo do sol em vidros ou latas, mas essa é uma causa rara.
Informações adicionais
O combate aos incêndios e a conscientização dos produtores rurais são fundamentais para minimizar os prejuízos ao solo e à produção agrícola. A Defesa Civil tem intensificado o trabalho de orientação junto aos pequenos produtores, alertando para os riscos do uso do fogo e incentivando práticas agrícolas mais sustentáveis. A redução da queima da palha da cana-de-açúcar na região é um exemplo positivo, que contribuiu para a melhora da qualidade do ar, embora a região ainda enfrente problemas com a poluição causada por incêndios em áreas de mata.