Mulheres vítimas de violência muitas vezes não encontram o acolhimento adequado ao procurar atendimento médico. A falta de preparo de profissionais de saúde pode dificultar ainda mais a denúncia e até silenciar quem já enfrenta barreiras para pedir ajuda.
Diante desse cenário, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo elaborou um guia com orientações para qualificar o atendimento e ajudar médicos a identificar sinais de violência, mesmo quando não são relatados diretamente pelas pacientes.
Atendimento falho
Casos de atendimento inadequado ainda são recorrentes. Uma vítima relatou ter sido tratada de forma agressiva ao dar entrada em uma unidade de saúde após episódios de violência doméstica, sem conseguir relatar o que realmente havia ocorrido.
Segundo especialistas, esse tipo de abordagem pode reforçar o isolamento da vítima e impedir que ela busque ajuda novamente. Muitas vezes, o primeiro contato após a agressão acontece justamente em unidades de saúde.
Além disso, profissionais nem sempre estão preparados para perceber sinais que vão além das lesões físicas, o que dificulta a identificação da violência.
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Guia médico
O guia elaborado pelo Conselho orienta os médicos a observarem inconsistências entre o relato da paciente e as lesões apresentadas, o que pode indicar situações de violência.
A recomendação é que o atendimento vá além do tratamento físico, buscando compreender o contexto e oferecer suporte. O documento também destaca a importância de abordar o tema com sensibilidade e atenção.
Entre as orientações estão ouvir a paciente sem interrupções, garantir privacidade, não duvidar do relato e evitar qualquer tipo de culpabilização.
Rede apoio
Além do atendimento médico, a rede de apoio é considerada essencial para que mulheres consigam romper ciclos de violência. Programas voltados a esse público têm mostrado resultados positivos.
Uma iniciativa criada por uma rede de hospitais, em parceria com uma organização não governamental, registrou que mais de 80% das mulheres atendidas conseguiram se afastar do agressor.
O suporte inclui acolhimento, orientação e acompanhamento, ajudando as vítimas a reconhecerem a situação e buscarem caminhos para sair do relacionamento abusivo.


