As férias escolares costumam aumentar o tempo de exposição de crianças e adolescentes às telas, como celulares, tablets e televisão. Embora esses recursos façam parte da rotina e possam ser utilizados para entretenimento e aprendizado, especialistas alertam que o uso excessivo pode trazer prejuízos à saúde física e emocional.
Em entrevista à CBN Ribeirão, a psicóloga Ângela Giraldi destacou que o desafio das famílias não é simplesmente proibir o uso dos dispositivos, mas encontrar um equilíbrio por meio do diálogo, da definição de limites e da oferta de outras atividades durante o período de recesso escolar.
Tempo de tela
Segundo a psicóloga, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda limites de tempo de tela de acordo com a faixa etária. Para crianças de 2 a 5 anos, a orientação é de até uma hora por dia. Entre 6 e 10 anos, o tempo indicado varia de uma a duas horas diárias. Já para adolescentes, a recomendação é de até três horas por dia.
Ângela ressalta que, durante as férias, é importante que esse tempo não aumente de forma excessiva. Para isso, os pais podem incentivar brincadeiras, jogos de tabuleiro, passeios em parques, visitas a museus, atividades ao ar livre e momentos de convivência com outras crianças.
Ela também destaca que os adultos precisam participar desse processo, acompanhando os filhos e criando oportunidades para atividades em família.
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Sono e rotina
Outro ponto de atenção é o uso de celulares antes de dormir. De acordo com a psicóloga, a exposição às telas próximo ao horário de descanso pode prejudicar a qualidade do sono por causa dos estímulos visuais e sonoros.
Por isso, a orientação é que o uso dos dispositivos faça parte de combinados estabelecidos entre pais e filhos, evitando que celulares sejam levados para o quarto durante a noite. A especialista afirma que a função dos adultos é ajudar as crianças a desenvolverem essa autorregulação.
Ela também recomenda que, cerca de uma semana antes do retorno às aulas, a rotina de horários de sono, alimentação e demais atividades seja retomada gradualmente para facilitar a readaptação ao período letivo.
Uso consciente
Embora reconheça que as telas também oferecem conteúdos educativos e façam parte da vida cotidiana, Ângela alerta que o excesso pode favorecer problemas como ansiedade, sedentarismo, alterações posturais, dificuldades no sono e redução das oportunidades de interação social e criatividade.
A psicóloga observa ainda que muitos pais recorrem às telas para conseguir conciliar o trabalho e os cuidados com os filhos, mas reforça a importância de estabelecer limites e acompanhar o conteúdo acessado pelas crianças, além de ficar atento a mudanças de comportamento que possam indicar prejuízos relacionados ao uso excessivo dos dispositivos.



