Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
A fiscalização de trânsito de Ribeirão Preto registrou, em média, uma multa aplicada a cada quatro dias a servidores públicos municipais por infrações cometidas na cidade. Nos últimos dois anos, esses agentes acumularam 766 pontos nas carteiras de habilitação e pagaram R$ 17.400 em multas por autuações ocorridas no município.
Números e dimensão do problema
Levantamentos da fiscalização municipal indicam frequência elevada de infrações envolvendo servidores que conduzem tanto veículos oficiais quanto particulares. Além do efeito sobre os condutores, as autuações vinculadas a veículos da prefeitura representam custo direto para a administração: quando a multa é lavrada em nome da pessoa jurídica (a própria prefeitura), a legislação prevê cobrança em dobro, elevando o ônus para os cofres públicos.
Causas e responsabilidades
Para Coca Ferrasca, coordenador de mobilidade urbana e especialista em trânsito, a raiz do problema está na ausência de uma cultura consolidada de segurança viária. Segundo ele, ‘muitos motoristas — entre eles servidores públicos — desrespeitam regras, excedem limites de velocidade e, em alguns casos, dirigem sob efeito de álcool’. Ferrasca observa ainda que, em países desenvolvidos, esses servidores poderiam ser alvo de punições mais severas, incluindo a perda do cargo, dada a responsabilidade pública envolvida; localmente, as penalidades ainda não refletem essa rigidez.
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Medidas e recomendações
O especialista defende que a melhoria depende de três pilares: engenharia viária, educação e rigor na aplicação da lei. Na prática, isso significa investir em sinalização e infraestrutura adequadas, promover campanhas educativas bem planejadas e ampliar fiscalizações efetivas, além de oferecer formação específica, como cursos de direção defensiva para servidores que utilizam veículos oficiais. Ferrasca cita experiências em outras cidades da região que combinaram ações educativas com fiscalização mais incisiva e tiveram resultados positivos.
O panorama em Ribeirão Preto espelha um desafio mais amplo presente no Brasil: reduzir infrações e aumentar a segurança viária exige investimentos contínuos em formação, infraestrutura e fiscalização, além de uma mudança cultural no comportamento dos condutores.



