A compreensão dos recursos naturais de Ribeirão Preto passa pelo conhecimento da geodiversidade, que considera os elementos geológicos que estruturam o território e suas relações com a água, o solo e as atividades humanas. O tema será discutido em um evento da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AARP).
Segundo o geólogo Celso Aloísio Graminha, a proposta é ampliar a percepção sobre os elementos da Terra presentes no cotidiano, como a água do Aquífero Guarani, os minérios não metálicos, o patrimônio paleontológico e as rochas utilizadas na construção e em calçamentos históricos da cidade.
Recursos naturais
Graminha explica que a geodiversidade pode ser entendida como um conceito relacionado à biodiversidade, mas voltado aos elementos físicos da Terra. A proposta é mostrar como esses componentes estão presentes no dia a dia e são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade.
Na região de Ribeirão Preto, um dos principais exemplos é o Aquífero Guarani. O geólogo destaca que a dificuldade de visualizar o aquífero pode tornar mais difícil sensibilizar a população sobre a necessidade de economizar água e preservar o recurso.
A recarga do aquífero ocorre de maneira ampla no território, mas é muito lenta na escala humana. Para Graminha, compreender essa característica ajuda a reforçar a necessidade de uso racional e de preservação dos recursos hídricos.
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Planejamento urbano
O conhecimento da estrutura geológica também deve fazer parte do planejamento das cidades. Segundo o geólogo, a expansão urbana precisa considerar as características do território desde sua base geológica, passando pelo solo, até as edificações e demais intervenções humanas.
Para ele, ignorar essas características pode gerar áreas de risco, comprometer nascentes e interferir no ciclo hidrológico. Por isso, o conhecimento do território deve ser considerado no planejamento de municípios de diferentes portes.
A preservação também precisa ser conciliada com as atividades econômicas, incluindo o agronegócio. Graminha defende o respeito às áreas de preservação permanente e às áreas próximas às nascentes como parte da garantia de recursos para as próximas gerações.
Ciência e conservação
O geólogo afirma que a valorização da geodiversidade deve levar à conservação dos elementos considerados importantes como patrimônio. A proposta não é preservar tudo o que existe no planeta, mas identificar aquilo que possui relevância e precisa ser protegido.
Para conciliar desenvolvimento econômico, presença humana e equilíbrio ambiental, Graminha aponta a ciência e a tecnologia como caminhos. Segundo ele, a ciência aplicada já demonstra a necessidade de mudanças diante de problemas como a emergência climática.
A palestra sobre recursos naturais com enfoque na geodiversidade será realizada às 18h30, na AARP, na Rua Clemente Ferreira, 330. O encontro faz parte do projeto OCA, de ocupação, conexões e ambiente, que reúne uma equipe multidisciplinar.



