CBN Ribeirão 90,5 FM
- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Pesquisadores da UFSCar desenvolvem componente eletrônico que imita funções do cérebro

Dispositivo com óxido de zinco consegue processar e armazenar informações no mesmo local e pode reduzir o consumo de energia e o superaquecimento
UFSCar
Reprodução EPTV

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um componente eletrônico com óxido de zinco capaz de processar e armazenar informações no mesmo local. A tecnologia busca reproduzir uma característica do funcionamento do cérebro humano e pode contribuir para reduzir o consumo de energia dos computadores.

O dispositivo também pode ser utilizado em sensores capazes de interagir com o ambiente, como identificar a presença de luz e diferentes substâncias. Entre as possibilidades estão aplicações para indicar materiais tóxicos no ar e a presença de doenças no sangue.

Óxido de zinco

Segundo o professor Márcio Peron Franco de Godói, da UFSCar, a pesquisa introduziu o óxido de zinco como um dos materiais que podem ser utilizados nesse tipo de dispositivo. De acordo com ele, os óxidos semicondutores apresentam uma relação de custo-benefício considerada boa, além de serem economicamente viáveis e poderem não agredir o meio ambiente.

A tecnologia também busca solucionar uma limitação dos computadores atuais. Nos equipamentos convencionais, processamento e memória ficam separados, e a comunicação entre essas duas unidades demanda energia e gera calor.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Memória integrada

A pesquisadora Ana Luísa Costa e Silva explica que, no dispositivo desenvolvido pelos cientistas, a proposta é reunir processamento e armazenamento de memória no mesmo local. O funcionamento se aproxima do que ocorre nas sinapses cerebrais, quando os neurônios se comunicam continuamente.

No experimento, o óxido de zinco aplicado nas placas funciona de maneira semelhante aos neurônios. Correntes elétricas passam por micranhuras, e a distância entre elas foi testada milimetricamente para avaliar o resultado.

Os testes mostraram que o sensor com óxido de zinco consegue repetir determinadas operações e, ao mesmo tempo, armazenar informações que podem ser recuperadas posteriormente. Segundo a pesquisadora, a rapidez é um dos diferenciais da tecnologia, já que a corrente elétrica permite gravar e transportar a informação.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Menos calor

Os pesquisadores também destacam o potencial da tecnologia para enfrentar o problema do aquecimento dos computadores. Atualmente, o processamento de informações por componentes eletrônicos pode gerar muito calor, o que representa um desafio para supercomputadores e data centers.

A nova técnica consegue trabalhar em temperatura ambiente sem provocar superaquecimento. Segundo os pesquisadores, isso não significa que o dispositivo não produza calor, mas existe uma tendência de redução desse efeito.

Os resultados da pesquisa já foram publicados em revistas científicas internacionais. Ainda não há previsão para que a tecnologia chegue ao mercado, mas os pesquisadores consideram os resultados experimentais promissores e esperam que o desenvolvimento possa contribuir para futuras aplicações de engenharia.

Veja também

Conteúdos

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.