Um golpe antigo, mas que continua fazendo vítimas em todo o país, tem preocupado especialistas em segurança digital e autoridades policiais. Conhecido como “golpe dos nudes”, o crime utiliza perfis falsos nas redes sociais para conquistar a confiança das vítimas e, posteriormente, aplicar extorsões por meio de ameaças e chantagens.
Embora não haja estatísticas precisas sobre a quantidade de ocorrências, especialistas alertam que os casos são frequentes. O medo da exposição e a vergonha fazem com que muitas vítimas não registrem boletim de ocorrência, dificultando a dimensão real do problema.
Como funciona
A estratégia costuma seguir um padrão. Os criminosos criam perfis falsos em redes sociais, geralmente utilizando fotos atrativas para despertar interesse e iniciar conversas com as vítimas.
Após conquistar a confiança da pessoa, os golpistas passam a trocar mensagens de teor íntimo e, em alguns casos, conseguem fotos e vídeos pessoais. Em seguida, iniciam as ameaças, alegando ser pais de adolescentes, maridos de supostas mulheres envolvidas ou familiares que exigem dinheiro para evitar denúncias ou a divulgação do conteúdo.
Segundo especialistas, os criminosos frequentemente possuem informações pessoais das vítimas, como endereço, local de trabalho e dados familiares, o que aumenta a sensação de medo e pressão psicológica.
Chantagem emocional
Uma das vítimas ouvidas pela reportagem relatou que o pai recebeu imagens íntimas sem solicitá-las e, pouco depois, passou a ser ameaçado por um suposto familiar da pessoa que enviou o conteúdo. Assustado, ele realizou transferências aos criminosos.
Mesmo após o pagamento, as exigências continuaram. O homem chegou a deixar a cidade por medo das ameaças até que familiares conseguiram convencê-lo a procurar ajuda policial.
De acordo com o especialista em cibersegurança Marcelo Contin, esse tipo de crime é conhecido como sextorsão, modalidade de chantagem em que criminosos ameaçam divulgar conteúdos íntimos caso a vítima não faça pagamentos ou envie novos materiais.
Prevenção e denúncia
Especialistas recomendam cautela ao aceitar solicitações de amizade de desconhecidos e ao compartilhar informações pessoais ou imagens íntimas pela internet. A psicóloga e psicanalista Caroline Rangel explica que os golpistas exploram vulnerabilidades emocionais, como a necessidade de atenção, afeto e aprovação, utilizando o medo e o constrangimento como ferramentas de manipulação.
Segundo ela, o sentimento de vergonha frequentemente impede que as vítimas busquem ajuda, mas registrar a ocorrência é fundamental para interromper o ciclo de ameaças e auxiliar nas investigações.
A orientação das autoridades é não realizar pagamentos, guardar todas as provas disponíveis, como capturas de tela, números de telefone, conversas, dados bancários e chaves Pix utilizadas pelos criminosos, e procurar imediatamente a Polícia Civil. O boletim de ocorrência também pode ser registrado por meio da Delegacia Eletrônica.



