Especialistas acreditam que essa área tende a crescer no país, provocando o aumento de concorrência no mercado
Crise no Mercado de Trabalho e a Ascensão dos Apps
Edilson Roberto do Nascimento, um dos 87 mil hiberão-pretanos que perderam seus empregos em 2023, viu-se obrigado a se reinventar. Seis meses após ser demitido de seu trabalho em um almoxarifado, ele se tornou entregador de aplicativo. Inicialmente, a renda era satisfatória, chegando a R$ 100 a R$ 150 por dia. No entanto, com o aumento da concorrência, a situação se tornou mais desafiadora, com ganhos reduzidos para R$ 50 a R$ 70 por dia. A insegurança e os perigos nas ruas também são fatores preocupantes para Edilson, que busca recolocação em seu antigo ramo de atuação.
Trabalhadores de Aplicativos: Uma Realidade em Crescimento
A situação de Edilson espelha a realidade de muitos brasileiros. Ednei Carvalho de Souza, motorista de aplicativo desde 2016, também enfrenta dificuldades devido à alta concorrência. Segundo o IBGE, Edilson e Ednei fazem parte dos 3,8 milhões de trabalhadores autônomos no país que dependem de aplicativos como principal fonte de renda, representando 17% dos 23,8% da classe trabalhadora no Brasil. O aumento da demanda por serviços de aplicativos gera um crescimento no número de trabalhadores, criando um cenário competitivo.
Desafios e Perspectivas Futuras
Para Vinicius Mello, especialista em ecoma, a especialização será fundamental para o sucesso nesse mercado cada vez mais competitivo. O advogado trabalhista Ricardo Estevão destaca a fragilidade da situação jurídica desses trabalhadores autônomos, uma vez que as regras de contrato não seguem as normas da CLT. A definição do vínculo empregatício entre as empresas de aplicativos e os trabalhadores é um ponto de discussão na justiça do trabalho, com decisões divergentes. A orientação é que os trabalhadores autônomos se atenham às normas contratuais antes de qualquer desligamento. O Senai prevê a criação de 30 novas profissões em oito áreas nos próximos anos, impulsionadas pela indústria 4.0, com oportunidades em setores como o automotivo, alimentício, de máquinas e construção civil.
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Em resumo, a crescente utilização de aplicativos para trabalho gera novas oportunidades, mas também acarreta desafios significativos para os trabalhadores, exigindo adaptação, especialização e atenção aos aspectos legais da prestação de serviços.



