Ano de 2015 teve outra marca negativa para terceira idade: faixa etária foi a que mais cresceu entre os inadimplentes
Um levantamento do Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas revelou que a inflação tem impactado de forma mais severa os idosos em comparação com outros grupos de consumidores. Paralelamente, dados do SPC Brasil indicam que, em 2015, a faixa etária de inadimplentes que mais cresceu foi a dos idosos. Essa realidade se manifesta de maneira evidente em Ribeirão Preto.
O Impacto da Inflação na Renda dos Idosos
Entrevistas realizadas em Ribeirão Preto revelaram que muitos idosos já enfrentam dificuldades para manter suas contas em dia com os benefícios que recebem. A indignação é palpável, especialmente entre aqueles que contribuíram durante toda a vida e atrásra lutam para adquirir até mesmo os medicamentos necessários. Segundo a pesquisa da FGV, a população com mais de 60 anos teve um aumento de 11,13% nos gastos com produtos e serviços, enquanto para os demais consumidores, o índice foi de 10,53%. A inflação, que fechou o ano em 10,67%, afeta os idosos de maneira mais intensa devido aos custos com medicamentos, planos de saúde e outros encargos diários.
A dificuldade em complementar a renda, somada à limitação do salário da aposentadoria, agrava a situação. A representatividade dos gastos se torna maior porque a renda permanece estagnada enquanto os preços sobem. Diferentemente de outras categorias, onde as pessoas encontram maneiras de aumentar a renda para acompanhar a inflação, os aposentados enfrentam um impacto desproporcional.
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Estratégias de Sobrevivência e a Busca por Alternativas
Diante desse cenário, muitos aposentados buscam alternativas para complementar sua renda. Arir Roberto Gonçalves, por exemplo, iniciou um comércio ambulante para suprir as necessidades básicas. Ele relata que a aposentadoria mal cobre os custos com remédios, e que o salário mínimo não é suficiente para arcar com todas as despesas. A prioridade é pagar aluguel, comprar remédios e garantir a alimentação, muitas vezes optando por alimentos mais baratos e menos nutritivos.
Geralda Faquine Piesa, outra aposentada, enfrenta problemas de saúde e precisa de uma alimentação rica em carne, frutas e verduras. No entanto, os preços desses alimentos aumentaram significativamente, tornando difícil manter uma dieta adequada com a aposentadoria limitada. A busca por crédito consignado surge como uma alternativa, mas muitas vezes leva ao endividamento, tornando a situação ainda mais precária.
O Crédito Consignado: Uma Facilidade Perigosa
A facilidade de acesso ao crédito consignado tem se mostrado uma armadilha para muitos aposentados. A oferta tentadora, com juros aparentemente baixos, pode levar a um endividamento prolongado. O aumento da margem consignável, proposto pelo governo, é visto como uma medida preocupante, que pode agravar ainda mais a situação financeira dos idosos. O crédito consignado só é recomendado em situações emergenciais, como para quitar dívidas com juros altos, e não como uma forma de complementar a renda mensal.
É fundamental que os idosos e seus familiares estejam atentos aos riscos do endividamento e busquem alternativas para garantir uma renda digna e uma qualidade de vida adequada. A orientação financeira e o planejamento cuidadoso são essenciais para evitar que a inflação e o crédito fácil comprometam o bem-estar dos aposentados.



