Queda foi de 1,4% em relação ao mesmo mês de 2014; índice de recuperação de crédito subiu 6,6%
Após um período de aumento no endividamento desde o início do ano, os consumidores de Ribeirão Preto e região demonstram maior cautela no segundo semestre. Dados da Boa Vista SCPC revelam uma queda de 1,4% nos registros de inadimplência em julho, comparado ao mesmo mês do ano anterior.
Simultaneamente, o índice de recuperação de crédito apresentou um aumento de 6,6%. Alexandre Nicolela, professor de economia da USP, interpreta esses dados como um indicativo de que os consumidores estão evitando novas dívidas e priorizando a quitação das existentes.
Cautela em Meio à Incerteza Econômica
Nicolela atribui essa mudança de comportamento ao cenário econômico atual, marcado por incertezas. “Estamos em um momento arriscado, o que leva as pessoas a reduzirem o consumo e evitarem o endividamento”, explica. O receio de desemprego ou redução da renda familiar contribui para essa postura mais conservadora.
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Na região administrativa de Ribeirão Preto, a redução da inadimplência foi ainda mais expressiva em julho, atingindo 2%, com uma recuperação de crédito de 10%. Nicolela enfatiza que essa atitude do consumidor é a mais sensata diante das incertezas econômicas.
Impacto no Comércio Varejista
Apesar dos dados positivos, o economista do Cincovarpis, Marcelo Bose, adverte que os comerciantes não têm motivos para comemorar. A preferência dos consumidores por compras à vista, em detrimento do parcelamento, impacta negativamente as vendas. “O parcelamento é um estímulo às vendas. Se as pessoas optam por pagar à vista, o volume de vendas tende a ser menor”, afirma Bose.
Um Cenário de Trocas e Perspectivas Futuras
Bose descreve a situação como um “trade-off”, onde a segurança nas vendas à vista é compensada por uma redução no volume total. O levantamento da Boa Vista SCPC também aponta para um aumento no índice de inadimplência nos últimos 12 meses, tanto em Ribeirão Preto quanto no país, uma tendência que, segundo Nicolela, deve persistir até o final do ano.
Apesar da expectativa de uma recuperação no próximo ano, o cenário ainda é de instabilidade, com inflação elevada e taxas de juros em alta. Bose se mostra ainda mais pessimista, prevendo uma recuperação apenas nos primeiros meses do ano seguinte.
Diante desse cenário, o comércio enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de aumentar as vendas com a cautela dos consumidores. Economistas sugerem o uso de tecnologias para analisar o comportamento do consumidor e a aposta em promoções.
Rejercena para CBN Ribeirão.
O mercado se ajusta a essa nova realidade, buscando estratégias para atender às necessidades de um consumidor mais consciente e precavido.



