Objetivo era fechar com 3%, mas IPCA ficou em 2,95%; queda nos preços dos alimentos impediu o aumento inflacionário
Em 2017, o Brasil registrou um índice de inflação abaixo dos 3%, um cenário bem diferente do ano de 2016, que fechou com 8,62%. A deflação de 1,87% foi influenciada, principalmente, pela queda no preço de alimentos.
Peso dos Alimentos na Inflação
Segundo o professor de economia da USP, Edgarman Fortimelo, o índice de inflação é calculado com base em uma cesta de bens de consumo, onde alimentos possuem um peso significativo. A redução do consumo, aliada à boa safra, contribuiu para a baixa inflação. Esta é a primeira vez que o índice inflacionário anual registra deflação por conta dos alimentos desde o Plano Real.
Impacto da Deflação e Possíveis Desdobramentos
A queda acentuada nos preços dos alimentos, como arroz, açúcar, frutas e leite (impulsionada por uma super safra quase 30% maior que a do ano anterior), teve um impacto direto na inflação de 2017. Entretanto, Fortimelo aponta que essa deflação poderia ter sido um sinal para o governo federal reagir mais rapidamente com relação às taxas de juros, possibilitando um crescimento econômico ainda maior. A inflação abaixo do mínimo esperado poderia ter permitido uma redução mais rápida das taxas de juros, dinamizando a economia.
Leia também
Perspectivas para o Futuro
Para 2018, a expectativa era de melhoras significativas, com recuperação da economia e inflação sob controle. O professor acredita que o Banco Central poderia promover um aquecimento econômico. Após um período de alta, a inflação, que chegou a mais de 12% em 2002, vinha diminuindo gradualmente até o registro positivo de 2017, terminando o ano em 2,95%. Apesar dos números expressivos, seus impactos no dia a dia nem sempre são perceptíveis.



