Expectativa é que o índice de preços seja o maior desde a implementação do plano real, em 1994; economista analisa o cenário
A inflação de março de 2022 atingiu 1,62%, segundo dados do IBGE, o maior índice para o mês desde 1994. O aumento nos preços dos combustíveis foi o principal fator que impulsionou esse resultado.
Alta nos combustíveis e seus impactos
O etanol chegou a custar R$ 5,30 o litro em alguns postos de Ribeirão Preto, enquanto a gasolina estava em média a R$ 7,00. Considerando os últimos 12 meses, a inflação acumulada chega a 11,30%, um cenário preocupante para a economia.
Análise do economista Adnan Gebayley
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o economista Adnan Gebayley analisou a situação. Ele destacou que o Banco Central prevê uma inflação de 7% até o final de 2022, prognóstico que pode resultar na maior taxa desde 1994. Adnan apontou a estagnação do PIB (em torno de 0,5%) como um agravante, criando um cenário de instagnação econômica combinada com alta inflação.
Leia também
O economista também abordou as causas da alta inflação, citando os combustíveis e os alimentos como vilões. Ele explicou que a contenção de preços em um setor acaba gerando aumentos em outros, devido à natureza contínua e generalizada da inflação. A política da Petrobras, as mudanças na gestão e as incertezas no governo foram apontadas como fatores que impactam negativamente os preços dos combustíveis. Medidas governamentais, como o aumento da taxa Selic e a redução de impostos de importação, são tomadas para conter a inflação, mas seus efeitos demoram a ser sentidos.
Cenário futuro e desafios
Adnan destacou a dificuldade em controlar a inflação, especialmente com a instabilidade política e a influência de fatores externos como o clima, que afeta a produção de alimentos. O aumento do preço do leite foi citado como exemplo. Ele comparou a situação atual à ideia de virtu e fortuna de Maquiavel, onde a ação do governo (virtu) precisa ser acompanhada de sorte (fortuna) para obter resultados positivos. A falta de decisões rápidas e efetivas do governo no passado agrava a situação atual. Finalmente, o economista comentou sobre o impacto do aumento da energia elétrica na inflação, ressaltando que o reajuste de preços em um setor impacta outros, gerando um efeito cascata que dificulta ainda mais o controle da inflação.



