Consumidores estão preferindo poupar dinheiro do que gastar; déficit em março e abril foi de 0,5%
O cenário econômico brasileiro ainda apresenta incertezas, impactando diretamente o consumo interno. Dados recentes apontam uma queda de 0,5% nas vendas do comércio varejista entre março e abril, com o setor de móveis e eletrodomésticos sofrendo a maior retração, de 4,3%, segundo a Boa Vista SCPC.
Crédito, Renda e Consumo: Um Cocktail Explosivo
A retração no consumo é explicada, em parte, pela limitação de crédito e comprometimento da renda, fatores que levam os consumidores a evitarem compras de maior valor, como veículos e eletrodomésticos. O economista Flávio Calife destaca que aquisições a longo prazo, como a compra de veículos, foram impactadas pela falta de renda e pela aversão ao endividamento. Setores como o de supermercados e alimentos, por dependerem mais da renda corrente, apresentaram crescimento, ainda que moderado.
Desemprego e Confiança em Queda
Outro fator relevante é o alto índice de desemprego, associado à falta de políticas públicas eficazes e à indefinição em relação a medidas governamentais. A confiança do consumidor também diminuiu, influenciando diretamente a decisão de compra. A combinação de desemprego, incertezas políticas e queda na confiança contribui para a redução do poder de compra e da intenção de consumo.
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Cenário Futuro: Otimismo Cauteloso
Embora alguns setores, como supermercados e alimentos, apresentem crescimento interanual positivo (1,8% e 1%, respectivamente, para móveis e eletrodomésticos), a expectativa de crescimento do comércio varejista foi revisada de 13,5% para cerca de 2% até o final do ano. A persistência das incertezas econômicas e a situação do mercado de trabalho ainda preocupam, indicando um cenário de otimismo cauteloso para os próximos meses.



