Relatórios que apontam divergência de R$ 17 milhões e de serviços prestados serão encaminhados ao Gaeco e à Polícia Federal
Após meses de investigação, o primeiro relatório da sindicância interna do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp) foi concluído. Com 4.800 páginas, o documento apura as irregularidades em um contrato entre a autarquia e a ASG Engenharia e Comércio Ltda., empresa também alvo de investigação do Gaeco e da Polícia Federal.
Descobertas da Sindicância
A investigação apontou uma diferença de R$ 16,8 milhões entre os valores medidos pela empresa e os serviços realmente executados. Para João Luiz Passador, especialista em administração e professor da USP Ribeirão Preto, esse resultado demonstra falhas nos processos de gestão da prefeitura. Segundo ele, a falta de controle nos ciclos de gestão permitiu a ocorrência das irregularidades e a ausência de transparência na administração pública municipal.
O Contrato e a Operação Sevandija
O contrato em questão, de R$ 68,4 milhões (valor inicial, que chegou a R$ 86 milhões com aditivos), foi licitado em 2014 e previa obras de infraestrutura do Daerp. Ele faz parte dos R$ 203,3 milhões investigados pela Polícia Federal e pelo Gaeco na Operação Sevandija. Os pagamentos foram suspensos em setembro. Depoimentos, como o da ex-diretora do Daerp, Isabel Mantila (presa na Operação Sevandija), indicam que o contrato com a ASG foi usado em um esquema de pagamento de propina.
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Próximos Passos e Resposta da Empresa
A sindicância do Daerp iniciou a oitiva dos funcionários envolvidos para esclarecer as fraudes e identificar os responsáveis. Ainda não foi divulgado se a empresa será obrigada a devolver a diferença encontrada pela auditoria. A ASG Engenharia, por meio de nota, informou que entregou um relatório ao Daerp em 26 de outubro, esclarecendo os pontos levantados e se colocando à disposição das autoridades. A empresa nega qualquer irregularidade.



