Fernando Roca, presidente da Associação Núcleo Postos RP, explica a tendência do mercado e a projeção para os próximos dias
Levantamentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam variações nos preços dos combustíveis em cidades do interior de São Paulo entre o final de dezembro e a primeira semana de janeiro. Em Ribeirão Preto, Já em alta, combustíveis devem ficar, o preço médio do etanol estava em R$ 4,23, com valor máximo de R$ 4,49; a gasolina média custava R$ 6,15, com máximo de R$ 6,59; e o diesel média era R$ 5,99, chegando a R$ 6,49 no preço máximo. Em Franca, os valores foram semelhantes, com etanol a R$ 4,23, gasolina a R$ 6,23 e diesel a R$ 5,81. Barretos apresentou os menores preços médios para a maioria dos combustíveis, com etanol a R$ 4,49, gasolina a R$ 6,18 e diesel a R$ 6,19.
Fatores para a alta nos preços dos combustíveis
Fernando Roca, representante do Núcleo de Postos de Ribeirão Preto, Já em alta, combustíveis devem ficar, explicou que desde 6 de janeiro houve aumentos nos preços repassados pelas distribuidoras aos postos. Um dos motivos é o período de entre-safra das usinas de cana-de-açúcar, quando ocorre manutenção e redução da produção de etanol, o que limita o estoque e aumenta os preços devido à alta demanda, especialmente durante as férias.
Outro fator é a valorização do dólar, que torna mais vantajosa a exportação de açúcar em detrimento da produção de etanol. Além disso, eventos climáticos como queimadas afetaram os canaviais na região, prejudicando a produção e podendo atrasar o início da safra prevista para março ou abril.
Impacto nos preços ao consumidor: Os aumentos já são percebidos nas bombas, com variações de até 20 centavos por litro em Ribeirão Preto desde o início de janeiro. Os postos ajustam os preços conforme recebem combustíveis com valores majorados das distribuidoras, e a expectativa é de que os reajustes continuem ao longo da semana.
Diferenças regionais e concorrência: Roca destacou que o preço dos combustíveis é livremente praticado pelos postos, e embora o custo de aquisição seja similar, a concorrência e os custos operacionais influenciam os valores finais. Por exemplo, São José do Rio Preto, a cerca de 100 km de Ribeirão Preto, apresenta preços mais baixos devido à maior concorrência e maior volume de vendas por posto, o que permite diluir custos fixos como aluguel e mão de obra.
Em Ribeirão Preto, há cerca de 175 postos para uma população de 700 mil habitantes, enquanto Campinas, com 160 postos para 1,2 milhão de habitantes, tem maior demanda por posto, favorecendo preços médios mais competitivos.
Informações adicionais
Além dos fatores de mercado, a partir de 1º de fevereiro haverá aumento nas alíquotas do ICMS sobre combustíveis, estimado em 7,14% para a gasolina e 5,31% para o diesel, o que deve pressionar ainda mais os preços ao consumidor. Atualmente, o preço da gasolina no mercado internacional está 24% mais alto que no Brasil, diferença que a Petrobras vem absorvendo, sem previsão de mudanças por parte do governo.
O Núcleo de Postos recomenda que os consumidores pesquisem preços localmente, desconfiem de ofertas muito abaixo do mercado, exijam cupom fiscal e façam o cálculo da relação entre etanol e gasolina para escolher o combustível mais vantajoso, considerando que o etanol é economicamente interessante quando custa até 70% do preço da gasolina.



