A Justiça homologou o acordo firmado entre o Ministério Público e Gustavo Perissoto de Oliveira, motorista que atropelou e matou Guilherme da Silva Maia, de 6 anos, em Bonfim Paulista, no início deste ano. Durante audiência, Gustavo confessou ter deixado o local do acidente sem prestar socorro.
Como parte do acordo, ele terá que pagar 150 salários mínimos à família da vítima, prestar serviços à comunidade e ficará proibido de dirigir por 1 ano e 7 meses. O pagamento prevê uma entrada de R$ 100 mil e o restante dividido em 12 parcelas de R$ 11.930.
Segundo o Ministério Público, Gustavo é primário e possui bons antecedentes. Caso cumpra todas as condições, a punibilidade será extinta. Se houver descumprimento, o acordo poderá ser cancelado e o Ministério Público poderá apresentar a acusação formal à Justiça.
Confissão
Durante a audiência, o promotor Manuel José Berça questionou Gustavo sobre a saída do local do atropelamento. O motorista confirmou que deixou o local para evitar a responsabilidade pelos fatos e admitiu os crimes apontados pelo Ministério Público.
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Gustavo também afirmou estar completamente arrependido e aceitou as condições propostas para o acordo. Segundo a defesa, a negociação foi considerada positiva diante da possibilidade de um processo que poderia se prolongar por anos.
O advogado João Pedro da Maceno afirmou que, por se tratar de um crime culposo, uma eventual condenação poderia resultar em pena baixa e em regime aberto, com prestação de serviços à comunidade. Segundo ele, o acordo também prevê o pagamento de aproximadamente R$ 240 mil à família a título de danos morais.
Consequências
Segundo a defesa, Gustavo teve mudanças significativas na rotina desde o acidente. Ele tinha uma banda, mas parou de cantar, interrompeu atividades e também deixou de estudar.
O advogado afirmou que o motorista está se recuperando e que cumprirá as condições estabelecidas no acordo com o auxílio da família. A defesa também declarou que tentou contato com a família da vítima cerca de uma semana após o acidente, mas não teria obtido resposta.
O advogado reconheceu que o valor pago não é capaz de compensar a perda da criança, mas avaliou o acordo como uma medida considerada justa no caso.
Acidente
O atropelamento aconteceu em 1º de janeiro, em Bonfim Paulista. Segundo o Ministério Público, Gustavo dirigia a 68 km/h em um trecho onde o limite de velocidade era de 40 km/h.
Ele perdeu o controle do carro e atingiu Guilherme e a mãe dele, Eliene de Santana Maia, que caminhavam pelo acostamento da estrada José Fregonese. O menino morreu três dias depois. A mãe também ficou ferida e precisou passar por cirurgias no Hospital das Clínicas.
De acordo com a investigação, Gustavo deixou o local sem prestar socorro. Ele permanece em liberdade e, com a homologação do acordo, deverá cumprir as obrigações determinadas pela Justiça. A defesa também havia negado anteriormente que ele tivesse ingerido bebida alcoólica durante a confraternização de réveillon.



