A Justiça de Pontal realiza nesta segunda-feira (19) a audiência de instrução do processo que apura o feminicídio de Geniane Pereira, de 20 anos, morta a facadas em 24 de abril deste ano. O réu, Cleomar Borges Gomes, de 53 anos, está preso preventivamente. A audiência prevê o depoimento de testemunhas e do acusado, que deve participar por videoconferência, diretamente da penitenciária onde está detido.
A defesa apresentou um pedido para que a Justiça investigue as condições de saúde mental do réu. A solicitação foi formalizada no domingo (18), após a inclusão de documentos médicos no processo. Os registros, enviados pelo município de Leme do Prado, em Minas Gerais, indicam que Cleomar já havia recebido atendimento psiquiátrico e utilizado medicamentos controlados. O pedido ainda não tinha uma decisão definitiva até o início da audiência.
Ataque em Pontal
O crime aconteceu na manhã de 24 de abril, quando Geniane caminhava com uma amiga, Ariele Borges, em direção a um ponto de ônibus. As duas seguiam para o trabalho quando, segundo as investigações, foram surpreendidas por Cleomar, que estaria encapuzado e aguardava a passagem delas em uma esquina do bairro Adélia Fonseca.
De acordo com a investigação, Geniane foi atingida por oito golpes de faca. A lâmina chegou a se quebrar e ficou presa no corpo da jovem. Ela foi socorrida e levada à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos. A vítima sofreu perfurações no pulmão e no coração.
A apuração policial aponta que a violência teria sido precedida por episódios de comportamento possessivo, investidas e toques indesejados atribuídos ao acusado. Geniane e Ariele haviam saído de Turmalina, em Minas Gerais, em busca de emprego e passaram a morar temporariamente com Cleomar, em Pontal. Segundo a investigação, depois que as jovens relataram ter conhecido rapazes na cidade, elas teriam recebido ameaças.
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As duas decidiram deixar a casa e se mudar para a residência de uma tia. Ainda conforme a investigação, Cleomar não teria aceitado o afastamento e passou a perseguir as jovens, danificar pertences de Geniane e enviar áudios com ameaças de morte.
Prisão e processo
Após o assassinato, Cleomar fugiu de bicicleta e permaneceu foragido por cinco dias. Ele foi localizado em 29 de abril, em uma praça na região central de Ribeirão Preto. Segundo as informações da investigação, o homem estaria se passando por morador de rua quando foi encontrado.
Durante o interrogatório, de acordo com a polícia, Cleomar admitiu ter matado Geniane. Em um trecho do depoimento divulgado na reportagem, ele relatou ter se sentido humilhado após uma discussão e afirmou que as palavras ouvidas ficaram remoendo em sua cabeça.
O Ministério Público denunciou Cleomar pelo feminicídio, além de outras acusações relacionadas aos relatos de importunação sexual e ameaças. A audiência de instrução desta segunda-feira deve ouvir testemunhas e o acusado, dando continuidade à fase de apuração do processo.
Pedido de avaliação
A defesa pediu a abertura de um incidente de insanidade mental para que especialistas avaliem se Cleomar tinha condições de entender o caráter de seus atos na época do crime. Os documentos médicos anexados ao processo indicam que ele já havia passado por atendimento psiquiátrico e feito uso de medicamentos controlados.
Os advogados também haviam solicitado mais tempo para analisar os documentos e tentado adiar a audiência, mas a Justiça negou o pedido. A solicitação para investigar a saúde mental do réu, por si só, não significa que ele seja considerado incapaz de responder criminalmente pelo crime. Essa condição depende de avaliação e decisão judicial, com base nas provas e nos exames que eventualmente forem realizados.
O processo ainda precisa cumprir as etapas previstas pela Justiça antes de uma eventual decisão sobre o julgamento pelo Tribunal do Júri. Até o momento relatado na transmissão, não havia decisão definitiva sobre o pedido de avaliação da saúde mental do acusado.



