Professora universitária, Adriana Caldana, analisa as mudanças no mercado de trabalho e a interferência da pandemia na economia
O desemprego entre jovens é uma questão preocupante no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) apontam que, no quarto trimestre de 2022, 70% dos quase 14 milhões de desempregados tinham entre 14 e 24 anos.
Fatores que Contribuem para o Desemprego Juvenil
Para entender as razões dessa alta taxa de desemprego entre jovens, conversamos com a professora Adriana Caldana, da Faculdade de Economia e Administração da USP de Ribeirão Preto. Segundo ela, a automação, a mecanização e a ascensão da Indústria 4.0 e da inteligência artificial reduziram o número de vagas, principalmente no setor industrial. As vagas disponíveis exigem alta qualificação, concentradas em áreas como tecnologia, tornando difícil a inserção de jovens com menor nível de escolaridade ou experiência.
A professora também destaca a retração econômica desde 2014, que diminuiu as ofertas de emprego. A falta de experiência profissional coloca os jovens em desvantagem em relação a candidatos mais experientes. Mesmo com ensino superior, o diploma não garante emprego, sendo necessário um conjunto de fatores, como estágios e atividades extracurriculares.
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O Impacto do Ensino Remoto
O ensino remoto, intensificado pela pandemia, agravou a situação. Muitos cursos, especialmente aqueles com aulas práticas em laboratório, tiveram sua qualidade comprometida, impactando a formação de jovens em áreas como saúde e engenharia. Além disso, dificuldades de aprendizagem e acesso à tecnologia, somadas a problemas financeiros, levaram alguns jovens a abandonar os estudos.
Oportunidades e Empreendedorismo Social
Apesar dos desafios, a professora Adriana destaca o potencial da juventude em promover ações de impacto social, principalmente no ambiente digital. Projetos de empreendedorismo social, filantropia e capacitação de jovens são importantes para a inserção no mercado de trabalho e para combater a desigualdade. A revolução digital também facilita a formação e o networking, ultrapassando barreiras geográficas e abrindo novas oportunidades para os jovens.
Em resumo, a situação do desemprego juvenil é complexa e demanda ações em diversas frentes, desde a qualificação profissional até o fomento ao empreendedorismo social. A adaptação ao novo mercado de trabalho e o aproveitamento das oportunidades da era digital são cruciais para a inserção dos jovens no mercado de trabalho.



