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Levante de Guariba: a luta dos boias frias para a conquista de melhores condições de trabalho

Há quarenta anos, uma greve resultaria em mudanças das condições enfrentadas nas lavouras de cana-de-açúcar; ouça o EP Agro!
boias frias
Há quarenta anos, uma greve resultaria em mudanças das condições enfrentadas nas lavouras de cana-de-açúcar; ouça o EP Agro!

Há quarenta anos, uma greve resultaria em mudanças das condições enfrentadas nas lavouras de cana-de-açúcar; ouça o EP Agro!

40 anos do Levante de Guariba: uma revolução na colheita de cana-de-açúcar

Do corte manual à mecanização: uma trajetória de conquistas

A colheita de cana-de-açúcar no Brasil passou por uma transformação radical nas últimas quatro décadas. Nos anos 80, o trabalho era 100% manual, com condições desumanas e falta de equipamentos de segurança. Trabalhadores como Wilson Rodrigues e José Alves de Castro, hoje aposentados, relatam a dura realidade: ausência de equipamentos de proteção, jornadas extenuantes e péssimas condições de trabalho. A prática da queima dos canaviais, além de prejudicial à saúde e ao meio ambiente, era necessária para facilitar o corte manual.

A revolta dos boias-frias e a conquista de direitos

Em 1984, a situação explodiu. A exigência de colher sete ruas de cana por dia, em vez de cinco, foi o estopim para o Levante de Guariba. Cerca de seis mil boias-frias cruzaram os braços, bloqueando estradas e realizando protestos que resultaram em feridos e um morto. A mobilização, porém, foi fundamental para conquistar direitos trabalhistas básicos, como descanso semanal, férias, 13º salário e equipamentos de proteção individual, muitas das quais se tornaram lei em todo o Brasil. O levante de 1984, segundo Wilson, atual presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Guariba, foi um marco na luta por melhores condições de trabalho no campo, despertando as autoridades para a realidade dos trabalhadores rurais.

Modernização e sustentabilidade no setor sucroenergético

A mecanização da colheita, o fim da queima dos canaviais e o desenvolvimento de novas variedades de cana mais produtivas e resistentes a pragas são exemplos das transformações no setor. A colheita mecanizada trouxe aumento de produtividade, redução de emissões de gases de efeito estufa (estima-se uma redução de 80%) e melhorias nas condições de trabalho. Bia Bozzi, que começou cortando cana manualmente e hoje opera máquinas de última geração, exemplifica a ascensão profissional possível dentro do setor. A modernização, no entanto, exige investimentos em tecnologia e adaptação às novas realidades, como a necessidade de variedades de cana resistentes a pragas, conforme relatado pelo produtor Leandro Soave, que representa a quarta geração de sua família no cultivo da cana.

O setor sucroenergético brasileiro busca se consolidar como líder na transição energética, demonstrando sua modernidade e sustentabilidade nos aspectos econômico, social e ambiental. A jornada desde o Levante de Guariba até os avanços tecnológicos atuais demonstra a importância da luta por direitos e a capacidade de adaptação e inovação do setor para garantir um futuro mais justo e sustentável.

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