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Liberação de cirurgias para dentistas gera polêmica e levanta debate sobre segurança dos pacientes

Nova resolução permite procedimentos estéticos faciais, enquanto casos de complicações reacendem discussão sobre limites da atuação
cirurgia
Nova resolução permite procedimentos estéticos faciais, enquanto casos de complicações reacendem discussão sobre limites da atuação

A decisão do Conselho Federal de Odontologia de autorizar dentistas a realizarem cirurgias estéticas faciais tem gerado repercussão e debate entre profissionais da saúde. A medida amplia a atuação da categoria, mas também levanta preocupações sobre a segurança dos pacientes.

Na região de Ribeirão Preto, o tema ganha ainda mais destaque diante de casos recentes de procedimentos com complicações graves, que estão sendo investigados pela Justiça.

Nova resolução

A resolução publicada no dia 20 de março permite que dentistas realizem cirurgias como bichectomia, lipoaspiração cervical e facial, cervicoplastia, lifting facial e rinoplastia, desde que tenham formação especializada.

A flexibilização representa uma mudança em relação a normas anteriores do próprio conselho, que restringiam esse tipo de atuação. Segundo críticos da medida, não houve alteração significativa na formação dos profissionais que justificasse a ampliação.

A discussão envolve os limites entre as áreas da odontologia e da medicina, especialmente no que diz respeito a procedimentos considerados tradicionalmente médicos.

Segurança

Entidades médicas manifestaram preocupação com a nova regulamentação, apontando riscos à população. O principal argumento é que muitos pacientes não têm clareza sobre a formação do profissional que realiza o procedimento.

A avaliação é de que a liberação pode expor pacientes a intervenções realizadas por profissionais sem a qualificação necessária, aumentando o risco de complicações.

O debate também envolve a fiscalização e o cumprimento das normas, já que há relatos de procedimentos realizados anteriormente mesmo sem autorização formal.

Caso investigado

Em Ribeirão Preto, um caso recente reforça as preocupações. Pacientes denunciaram a dentista Fernanda Borges por complicações após procedimentos estéticos. Em uma das situações, uma mulher de 63 anos afirmou ter ficado seis dias entubada após a cirurgia.

Segundo laudo médico, a paciente apresentou deformidades estéticas permanentes e risco de morte. O caso segue em investigação e pode resultar em responsabilização judicial.

Especialistas apontam que a nova resolução não altera a situação de casos anteriores, e que eventuais irregularidades continuam sendo analisadas pela Justiça, independentemente da mudança nas normas.

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