CBN Ribeirão 90,5 FM
- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Lula sanciona lei que favorece réu em casos de empate em julgamentos penais

Nova legislação também traz mudanças para o habeas corpus; quem explica alterações é o advogado Adolfo Angelotti
Lula sanciona lei que favorece réu
Nova legislação também traz mudanças para o habeas corpus; quem explica alterações é o advogado Adolfo Angelotti

Nova legislação também traz mudanças para o habeas corpus; quem explica alterações é o advogado Adolfo Angelotti

Foi sancionada esta semana a lei 14.836/2024, que determina que, em casos de empate nos julgamentos criminais, o réu será beneficiado. O texto teve origem em 2021, quando o deputado Rubens Pereira Jr. (PT) apresentou o projeto, aprovado pelo Senado em fevereiro deste ano e sancionado pelo presidente da República.

O que a nova norma estabelece

A lei prevê que, quando houver empate em votações nos tribunais superiores — como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) — o resultado deve favorecer o réu, levando à absolvição ou ao reconhecimento do direito pretendido. A regra também é aplicada nas turmas de tribunais de segunda instância.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

No STF, por exemplo, o plenário é composto por 11 ministros, número ímpar que normalmente evita empates. Entretanto, ausências, impedimentos ou vagas temporárias podem reduzir o colegiado e gerar placares iguais (como 5 a 5). Antes da lei, havia procedimentos diversos, como a suspensão do julgamento até a recomposição da corte ou a convocação de um novo ministro para o chamado ‘voto de minerva’. A nova legislação elimina essa prática no sentido de que o empate passa a beneficiar automaticamente o réu.

Alterações sobre o habeas corpus coletivo

A lei também prevê explicitamente o instituto do habeas corpus coletivo, antes utilizado na prática, mas sem descrição detalhada na norma. Com a alteração, não poderá mais ser negado unicamente pelo argumento de ausência de previsão legal. Órgãos como a Defensoria Pública e o Ministério Público são legitimados a impetrar esse remédio constitucional, que protege direitos de grupos ampliados e não apenas de indivíduos.

Um exemplo citado pelo especialista consultado é a concessão de habeas corpus coletivo no STF para discutir a possibilidade de mães presas com filhos de até 12 anos cumprirem pena em regime domiciliar, tese que já resultou em decisões favoráveis em determinados casos.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Visão do advogado consultado

Em entrevista à CBN, o advogado Adolfo Angelotti avaliou que a mudança é significativa. ‘A Constituição busca evitar que inocentes sejam condenados. É preferível absolver alguém que possa ter cometido um delito do que manter a condenação de uma pessoa inocente’, afirmou. Para Angelotti, a nova lei reforça essa baliza e representa avanço na proteção de garantias fundamentais.

A norma foi publicada e entrou em vigor imediatamente, e deverá orientar decisões futuras tanto nos tribunais superiores quanto nas instâncias inferiores, reduzindo a ocorrência de resultados processuais que mantinham condenações diante de empates.

Veja também

Conteúdos

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.