Mais de 16% das pessoas acima de 60 anos relatam sentir-se sozinhas
O aumento da expectativa de vida no Brasil traz consigo um desafio crescente: a solidão entre os idosos. Dados recentes do IBGE (2023) revelam que 16,8% das pessoas com mais de 60 anos frequentemente se sentem sozinhas, impactando sua saúde mental e física. Embora a solitude seja apreciada por alguns, para muitos, essa condição pode ser prejudicial. Em meio ao Setembro Amarelo, mês dedicado à saúde emocional e prevenção ao suicídio, reforçamos a importância das redes de apoio para essa parcela da população.
O Etarismo e o Descarte Social dos Idosos
A psicóloga Michelle Silveira destaca a forte questão cultural do etarismo no Brasil, onde idosos são frequentemente vistos como ‘descartáveis’. Essa visão ignora as necessidades físicas e emocionais dessa fase da vida, marcada por perdas significativas, como cônjuges, filhos, profissão e vínculos sociais. A falta de atenção a essas questões agrava o sentimento de solidão e abandono.
Envelhecer Bem: Uma Realidade Distante?
Embora os idosos de hoje sejam mais funcionais do que os de 20 anos atrás, impulsionados por campanhas de conscientização, o estigma em relação à saúde mental ainda persiste. Muitos resistem a procurar ajuda psicológica, apesar dos benefícios comprovados da neuroestimulação e do acompanhamento emocional. A busca por atividades físicas e um envelhecimento ativo também são importantes, mas esbarram na barreira do preconceito.
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Propósito e Alegria na Terceira Idade
Encontrar um propósito é fundamental para um envelhecimento saudável. Transmitir legados, sabedoria e valores, participar de atividades criativas e voluntariado, criar vínculos intergeracionais e encontrar pequenas alegrias diárias são caminhos para preencher o vazio da solidão. Como ressalta Viktor Frankl, ‘quem tem um porquê suporta qualquer como’. Descobrir esse ‘porquê’ é essencial para enfrentar os desafios da terceira idade com resiliência e bem-estar.
Em última análise, a chave reside em valorizar a si mesmo e encontrar contentamento na própria companhia, buscando apoio quando necessário e cultivando um propósito que impulsione a viver plenamente cada dia.



