A médica psiquiatra Maria Teresa Cabreira Belini, de Sertãozinho, está foragida há mais de dois meses após ser condenada a 17 anos de prisão por tortura. O nome dela foi incluído recentemente na lista de procurados da Interpol. Segundo o Ministério Público, investigadores já têm pistas sobre onde ela pode estar.
A condenação é relacionada a fatos ocorridos em 2014, em uma clínica de reabilitação de Sertãozinho onde Maria Teresa era responsável técnica. De acordo com o Ministério Público, ela tinha conhecimento das agressões praticadas contra internos e não tomava providências diante dos relatos apresentados durante consultas.
Relatos de agressões
Durante o processo, 24 ex-internos foram ouvidos. Os relatos incluíram agressões com socos, chutes e pedaços de madeira, além de amarrações. Alguns pacientes também afirmaram que recebiam medicamentos controlados de forma inadequada.
Segundo o promotor Aroldo Costa Filho, Maria Teresa era responsável por receitar e ministrar os medicamentos aos internos. Os relatos apontaram que os remédios ficavam sob responsabilidade de monitores, que os utilizavam de maneira aleatória para acalmar os pacientes.
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Um dos ex-internos ouvidos no processo foi o advogado Luís Henrique Falone. Ele afirmou que foi agredido depois de questionar o tratamento recebido na clínica. Segundo o relato, monitores fizeram uma contenção com socos, pontapés e enforcamento mecânico enquanto a médica acompanhava a situação.
Prisões determinadas
A condenação de Maria Teresa se tornou definitiva após anos de recursos. Com o fim das possibilidades de recurso, a Justiça determinou as prisões, mas a médica não foi localizada e passou a ser considerada foragida.
A irmã dela, Mari Lúcia, e o cunhado, Dejalmã, também foram condenados pelo caso. Os dois foram presos em Portugal e são alvos de pedidos de extradição.
O Ministério Público tenta localizar Maria Teresa e, segundo informações obtidas pela reportagem, investigadores já têm pistas sobre o paradeiro dela. A defesa dos três condenados foi procurada, mas informou que não vai se manifestar sobre o caso.



