O tratamento do câncer de mama está cada vez mais personalizado, com a possibilidade de escolher terapias de acordo com as características biológicas e moleculares de cada tumor. Os avanços na medicina de precisão permitem aumentar as chances de controle da doença e reduzir efeitos colaterais, contribuindo para uma melhor qualidade de vida das pacientes.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto neste domingo (19), Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, o médico oncologista Carlos Fruet explicou que a abordagem atual é diferente da utilizada há 10 ou 15 anos, quando os tratamentos eram mais semelhantes entre os pacientes. Hoje, exames de biópsia e testes genéticos ajudam a orientar as decisões médicas, inclusive na escolha entre iniciar o tratamento com cirurgia ou outras terapias, como a quimioterapia.
Durante o Outubro Rosa, o especialista também reforçou a importância do diagnóstico precoce, dos exames de rastreamento e da adoção de hábitos saudáveis para reduzir o risco de desenvolver a doença.
Tratamento personalizado
Segundo Fruet, identificar o subtipo do câncer de mama é fundamental para definir a estratégia terapêutica mais adequada. Os testes também podem ajudar a estimar o risco de a doença voltar e a possibilidade de resposta a determinados tratamentos.
A medicina de precisão busca, assim, evitar abordagens iguais para todos os casos. A escolha da terapia considera as características de cada tumor e as particularidades da paciente, com o objetivo de melhorar os resultados e reduzir os efeitos adversos.
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O oncologista também destacou o avanço da inteligência artificial na análise de exames de imagem e na área da genética. Essas tecnologias podem aumentar a precisão na identificação de alterações e contribuir para diagnósticos mais precoces. Segundo ele, pesquisas também buscam desenvolver métodos capazes de detectar fragmentos celulares associados ao câncer no sangue antes mesmo do aparecimento da doença.
Mamografia
Fruet afirmou que muitas sociedades médicas recomendam que mulheres comecem a fazer mamografia anual aos 40 anos, mantendo o rastreamento até os 74 anos. No Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o médico, a recomendação mencionada na entrevista é iniciar aos 50 anos e realizar o exame a cada dois anos.
O especialista alertou que a ocorrência de câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos reforça a importância de discutir a idade de início do rastreamento. Para pacientes com histórico familiar de câncer de mama, ovário ou próstata, a avaliação médica pode indicar a necessidade de começar o acompanhamento mais cedo, por volta dos 30 ou 35 anos.
O diagnóstico tardio continua sendo um dos desafios no enfrentamento da doença. De acordo com Fruet, algumas mulheres percebem alterações nas mamas, mas demoram a procurar atendimento, o que pode permitir que o câncer avance antes de ser identificado.
Hábitos saudáveis
Além dos exames de rastreamento, o médico destacou medidas que podem ajudar a diminuir o risco de desenvolvimento do câncer de mama. Entre elas estão o controle da obesidade, a prática regular de atividade física, a redução do consumo de bebidas alcoólicas e a interrupção do tabagismo.
Fruet também ressaltou que a amamentação é considerada um fator de proteção contra a doença. Segundo ele, a prevenção envolve cuidados cotidianos com a saúde, enquanto a mamografia tem o papel de identificar possíveis tumores em fases iniciais.
O oncologista reforçou que o câncer de mama não é uma doença única e pode apresentar diferentes níveis de agressividade. Por isso, a combinação entre acompanhamento médico, diagnóstico precoce e tratamento individualizado é importante para ampliar as chances de controle e cura.



