Mulheres diagnosticadas com câncer de mama em idade reprodutiva podem ter a fertilidade comprometida pelos tratamentos contra a doença. Durante o Outubro Rosa, a ginecologista e especialista em reprodução humana Rebecca Pontelo alerta para a importância de discutir a preservação da fertilidade logo após o diagnóstico, especialmente quando há indicação de quimioterapia.
Em Ribeirão Preto, a estimativa é de aproximadamente 320 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mencionados na reportagem.
De acordo com a médica, alguns quimioterápicos utilizados no tratamento da doença podem provocar infertilidade temporária ou permanente, além de reduzir significativamente a reserva ovariana. Por isso, o congelamento de óvulos pode ser uma alternativa para pacientes que desejam ter filhos no futuro, desde que as condições clínicas permitam e haja tempo para realizar o procedimento.
Tratamento rápido
A recomendação é que a paciente procure um especialista em reprodução humana assim que houver perspectiva de necessidade de quimioterapia. Pontelo destaca que o encaminhamento pelos oncologistas é importante, já que o diagnóstico costuma exigir atenção a diversas questões médicas e emocionais.
Segundo a especialista, o processo de estimulação ovariana pode começar em diferentes momentos do ciclo menstrual, sem a necessidade de esperar uma fase específica. O procedimento leva, em média, de 10 a 12 dias, período em que também podem ser realizados exames e providenciadas as autorizações necessárias.
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Após a estimulação, os óvulos são coletados e congelados para uma possível utilização futura. A médica ressalta, porém, que a preservação da fertilidade não deve atrasar o tratamento oncológico, cuja prioridade é combater a doença.
Nem todas as pacientes podem realizar o procedimento. Casos em que o tratamento contra o câncer precisa começar imediatamente ou em que a mulher apresenta condições clínicas incompatíveis com a estimulação hormonal e a sedação exigidas precisam ser avaliados individualmente.
Idade e fertilidade
A idade da mulher influencia a qualidade dos óvulos e as chances de uma futura gestação. Segundo Pontelo, a fertilidade feminina começa a diminuir de maneira mais significativa a partir dos 35 anos, com queda mais acentuada depois dos 40.
Mesmo assim, a médica explica que mulheres diagnosticadas com câncer de mama aos 38 ou 40 anos também podem avaliar a possibilidade de congelamento. Embora as chances de gravidez sejam menores em comparação com mulheres mais jovens, a preservação pode oferecer uma oportunidade que talvez não exista após o tratamento.
Outro fator é que algumas pacientes precisam passar por terapias hormonais depois do tratamento oncológico e não podem tentar engravidar imediatamente. Nesses casos, o congelamento pode ajudar a preservar óvulos antes que a reserva ovariana seja afetada.
A especialista também destaca que a preservação da fertilidade pode ser considerada por mulheres que desejam adiar a maternidade, mesmo sem um diagnóstico de câncer. A chamada preservação social permite guardar óvulos para uma eventual tentativa de gravidez no futuro, embora não garanta uma gestação.
Custos e alternativas
O congelamento de óvulos tem custo elevado, segundo Pontelo, mas existem possibilidades de parcelamento e outras formas de viabilizar o procedimento, dependendo das condições de cada paciente.
Para mulheres que desejam realizar a preservação social, a médica cita a possibilidade de tratamentos com doação de óvulos, desde que sejam atendidos os critérios necessários. Nesse modelo, a paciente pode congelar óvulos para uso próprio e doar parte deles para ajudar outras mulheres que precisam recorrer a óvulos doados para engravidar.
A doação também pode beneficiar pacientes que passaram por quimioterapia sem conseguir preservar a fertilidade ou que não têm condições de utilizar os próprios óvulos. Segundo a especialista, a técnica representa uma alternativa para mulheres com baixa reserva ovariana, óvulos de baixa qualidade ou que já entraram na menopausa.
Pontelo reforça que a decisão sobre preservar a fertilidade deve ser individualizada e discutida com profissionais especializados. Para pacientes com câncer de mama, a avaliação precoce é fundamental para entender as possibilidades disponíveis sem comprometer o início do tratamento contra a doença.



