O mercado imobiliário de Ribeirão Preto manteve a demanda aquecida, mas registrou desaceleração no mês de abril. Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, os juros elevados e as incertezas econômicas continuam sendo os principais obstáculos para quem pretende financiar um imóvel.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, Viana explicou que a taxa Selic em patamar elevado afeta diretamente os financiamentos imobiliários, já que os bancos não conseguem oferecer juros mais baixos. Além disso, o comprometimento da renda das famílias e o endividamento dificultam a aprovação dos cadastros para aquisição de imóveis.
Juros elevados
De acordo com o presidente do Creci-SP, muitas pessoas possuem interesse e até condições financeiras para comprar um imóvel, mas acabam barradas pelas exigências das instituições financeiras.
Outro fator apontado por Viana é a insegurança em relação à política econômica do país. Segundo ele, dúvidas sobre os rumos da economia fazem com que consumidores evitem assumir financiamentos de longo prazo por receio de dificuldades futuras, como perda de renda ou desemprego.
O cenário também afeta quem já possui outras dívidas. Mesmo quando a renda atende aos critérios dos bancos, financiamentos anteriores e outros compromissos financeiros acabam reduzindo a capacidade de contratação de crédito imobiliário.
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Vendas
Ribeirão Preto continua atraindo moradores e investidores, impulsionada por setores como agronegócio, serviços e ensino superior. Segundo Viana, as universidades da cidade são responsáveis por atrair estudantes de diversas regiões, muitos dos quais acabam permanecendo no município após a formação.
Em abril, as casas representaram 60% das vendas registradas, enquanto os apartamentos responderam por 40% dos negócios. Para o presidente do Creci-SP, a preferência dos consumidores continua sendo pelas casas, especialmente em condomínios horizontais e empreendimentos de pequeno porte.
Ele destacou ainda o crescimento dos condomínios de casas, que têm atraído compradores por oferecerem menor custo de manutenção e mais liberdade em comparação aos apartamentos.
Minha Casa Minha Vida
Os dados apresentados pelo Creci-SP mostram que os imóveis com valores entre R$ 200 mil e R$ 300 mil concentraram quase 30% das vendas em abril. Já os imóveis de até R$ 200 mil representaram cerca de 25,5% dos negócios.
Segundo Viana, o programa Minha Casa Minha Vida tem papel decisivo no mercado atual. Ele afirmou que aproximadamente 80% dos imóveis comercializados estão enquadrados nos critérios do programa habitacional federal.
Durante a visita a Ribeirão Preto, o presidente do Creci-SP também participou da assinatura de um convênio com a Prefeitura que permitirá aos corretores de imóveis devidamente credenciados acessar informações do cadastro imobiliário municipal. A medida tem como objetivo facilitar a prospecção de negócios e estimular novos investimentos e empreendimentos na cidade.



