Projeção foi discutida no ‘Datagro’, evento que marca o início da safra; produtores enfrentam problemas com chuvas insuficientes
Terminou nesta quinta-feira a 8ª edição da Datagro, evento que marca a abertura da safra de cana-de-açúcar e reuniu em Ribeirão Preto executivos de empresas, especialistas e autoridades para discutir as perspectivas para o biênio 2024–2025. Samuel Santos acompanhou o encontro e traz os destaques do evento.
Abertura e agenda do encontro
A programação contou com dezenas de painéis sobre mercado mundial, sustentabilidade no setor sucroenergético, avanços tecnológicos na agricultura, financiamento e diversificação do uso de biocombustíveis. Participaram representantes do setor privado, consultorias e gestores públicos, que enfatizaram a importância do setor para a economia regional e nacional.
Projeções de safra e impactos climáticos
Os organizadores apresentaram projeções de uma safra menor em dimensão, mas com renda mais atraente. Plínio Inastari, presidente da Datagro, explicou que as condições climáticas entre outubro e fevereiro foram piores que no ano anterior, o que reduz a produção prevista. Ainda assim, afirmou que a oferta de açúcar e etanol deve ficar praticamente equivalente à da temporada anterior em razão dos estoques pré-existentes.
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A moagem da região centro-sul foi estimada em 592 milhões de toneladas, queda de 9,8% em relação às 656 milhões de toneladas de 2023/24. Entre os desafios citados esteve a irregularidade das chuvas, tema abordado por produtores e empresários.
Custos, tecnologia e políticas públicas
O preço do diesel, apontado por analistas como fator que pressiona custos e reduz produtividade, esteve no centro dos debates. Paulo Bruno Craveiro, analista de dados da Datagro, lembrou que mudanças recentes — retorno do piso, aumento do ICMS e elevação da mistura de biodiesel de 12% para 14% — impactaram custos de defensivos e fertilizantes e elevaram o custo do transporte por tonelada.
Produtores também ressaltaram o avanço tecnológico como ferramenta de mitigação das perdas. Maurílio Biage Filho observou que o clima segue fora do controle do agricultor, mas que a tecnologia proporcionou evoluções importantes ao longo do tempo.
Na abertura do evento, o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Pi, afirmou que o governo estadual pretende fomentar a produção de combustíveis limpos e valorizar o setor sucroenergético, lembrando que o estado concentrou cerca de 6 milhões dos quase 10 milhões de hectares de cana no país e abriga a maior parte das usinas.
Produtores saíram do encontro com sinais de otimismo cauteloso: há expectativa de preços mais favoráveis para o etanol com a retomada do consumo, mas os olhos permanecem voltados para o comportamento das chuvas, os custos energéticos e as medidas de apoio à atividade.



