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O que impacta de maneira contrária seria o diesel, diz analista sobre expectativa para safra 2024

Previsão é que nova safra de cana-de-açúcar seja menor que a anterior, mas que deve manter bons números

Previsão é que nova safra de cana-de-açúcar seja menor que a anterior, mas que deve manter bons números

Durante o primeiro dia do evento da Tagro, que antecede a abertura da safra da cana, do açúcar e do etanol, produtores, consultores e executivos discutiram os custos da temporada recém-encerrada e as expectativas para 2024-2025. O debate mostrou otimismo cauteloso: mesmo com sinal de aumento de custos por tonelada, a cadeia espera resultados financeiros positivos.

Custos e produtividade esperados

Especialistas destacaram que a safra 2023-2024 foi excepcional em produtividade, acompanhada de custo médio de cerca de R$ 88 por tonelada de cana. Para 2024-2025, a previsão é de uma redução na produtividade em relação ao ano anterior, que foi atípico, mas ainda acima da média histórica dos últimos anos.

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Lívia Cosaca, líder da consultoria agrícola da Tagro, explicou que, embora alguns insumos — como fertilizantes e defensivos — devam registrar queda de preço, a combinação entre menor produtividade e variação nos custos deve elevar o custo por tonelada em torno de 8% na média em relação a 2023-24. Em nível de hectare, a formação de custos pode até ficar um pouco mais baixa, mas ao dividir pelo volume produzido o custo unitário sobe.

Diesel e outros fatores que pressionam preços

O aumento do preço do diesel foi apontado como um dos principais responsáveis pelo aperto nos custos e pela expectativa de menor produtividade. Paulo Bruno Craveiro, analista de dados da Tagro, lembrou que três mudanças recentes impactaram diretamente a cadeia: o retorno de um piso de preços no combustível, a elevação do ICMS e o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de 12% para 14%.

Essas alterações elevaram o custo do diesel por tonelada de cana processada, estimado em um salto de aproximadamente R$ 41 para R$ 46 por tonelada. Segundo Craveiro, apesar desse impacto, os resultados projetados para a safra que se inicia continuam sendo considerados satisfatórios, caso as previsões de produção se confirmem.

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Visão das usinas e efeitos para o consumidor

Do ponto de vista das usinas, a expectativa é de que, mesmo com menor produtividade e custos maiores por tonelada, o setor mantenha geração de caixa robusta. Yuton Santos, gerente administrativo e financeiro da Usina Cocal, afirmou que a safra prestes a terminar trouxe resultados muito bons e que a próxima deve apresentar volumes e preços um pouco menores, mas ainda com balanços saudáveis.

Para o consumidor, há perspectiva de preços ligeiramente mais baixos para açúcar e etanol na safra 24-25, reflexo da oferta e da demanda em níveis local e global. O setor também ressalta que a agricultura é cíclica e que será necessário trabalhar em ganhos de eficiência operacional para compensar perdas de produtividade.

Os participantes do evento lembraram ainda riscos climáticos — como possibilidade de achiagem e irregularidade nas chuvas — que podem reduzir a produtividade em cerca de 10% em algumas regiões. Resta agora acompanhar a evolução climática e os mercados internacionais, na esperança de manutenção de preços favoráveis aos consumidores e de resultados estáveis para os produtores.

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